Manifesto Idealista – “O Original”

Manifesto:

  • Exposição (geralmente escrita) em que se manifesta o que é preciso, ou o que se deseja que se saiba.
  • Coisa manifestada.

Idealismo:

  • Sistema filosófico que encarece e afirma o valor da ideia.
  • Tendência para o ideal.

 


 

MANIFESTO IDEALISTA

São os objectivos maiores deste Manifesto promover:

  • a única discussão que vale a pena ter: como melhorar a condição humana;
  • a “guerra” de ideias baseada em factos e raciocínio lógico;
  • o melhoramento do nosso sistema auditivo – a componente mais importante de qualquer conversa;
  • curiosidade e muita coragem para questionar aquilo que temos como certo e inalterável; e
  • uma consciência de responsabilidade individual.

 

INTRODUÇÃO

Este documento surge de uma necessidade de encontrar uma plataforma para expor, pensar e possivelmente debater uma série de ideias sobre assuntos variados. Sendo que muitos desses eram-me completamente desconhecidos até há pouco tempo.

Após alguma frustração em conseguir conversar sobre alguns destes temas, decidi seguir o conselho da minha amiga J. e procurar o meu fórum. Mais uma vez a palavra escrita permite-me articular os meus pensamentos de forma um pouco mais editada. Obrigado J.

 

No início de 2016 decidi intencionalmente deixar de consumir notícias (tirando a minha leitura diária no site do A Bola). O meu racional era que se não há nada que eu esteja disposto a fazer em relação à informação que me ‘revolta’, então não vale a pena consumi-la – posição indolente bem sei, mas quis também arranjar espaço para poder concentrar o meu tempo, foco e energia noutros projectos.

No último ano no entanto – movido por uma curiosidade de saber que mundo se está a preparar para a minha canalha – activamente busquei informação sobre assuntos diversos. Já nem me lembro onde comecei, mas depressa fui dar a mil e um poisos. E aquilo com me deparei é algo que me preocupa sobremaneira.

 

Estamos a atravessar uma fase de polarização política em que o espaço no meio é cada vez menor e menos ocupado. Aqueles que defendem um compromisso moderado são acusados de intolerância e/ou falta de compromisso por ambos os pólos – “ou estás connosco ou contra nós”, parece ser a mensagem.

Esta polarização caminha por estradas ideológicas com destinos inevitavelmente totalitários, onde o “concordar em discordar” não tem plataforma. E nada de bom alguma vez saiu daqui. As várias tentativas de implementar estas ideologias ao longo do século XX resultaram unanimemente em miséria e sofrimento, contabilizando dezenas de milhões de mortos.

 

Também ao longo do século passado e dias presentes, os maiores avanços na promoção da condição humana foi quando “as políticas” andaram aos zigzagues sem muito se afastarem do centro.

Se genuinamente queremos promover o melhoramento da condição humana, temos que trazer a discussão de volta para o meio. Debater o mérito (ou falta dele) das ideias e deixarmo-nos de cegamente aceitá-las e promovê-las quando já sabemos que não funcionam.

Há que erguer a vontade de sermos melhores do que ontem, conversando e escutando. Mas falar é fácil, já ouvir…

Saber ouvir é uma arte e… somos todos surdos quando queremos! Mas é a única maneira de nos mantermos longe dos extremos. Olha, até rima…

“A grande maioria de nós não sabe ouvir; encontramo-nos compelidos a avaliar, porque ouvir é muito perigoso. O primeiro requerimento é coragem, e nós nem sempre a temos.”

Carl Rogers

 

Promovida por um sentimento de autoridade e superioridade moral, e facilitado pelos ecrãs, criou-se uma cultura de indignação instantânea.

Este comportamento visa pavonear virtude e castrar todas as opiniões que variam da norma. Sendo esta censura posta em prática com ataques pessoais e promoções de superioridade moral sobre aqueles com quem se discorda. Rejeitam-se factos e lógica, e acusações de intolerância passam a constituir argumentos.

Reparei também que existe uma promoção e reivindicação de direitos, especialmente em nome de grupos, em que as responsabilidades e deveres do indivíduo não são mencionados.

“Os teus direitos são a minha responsabilidade.” Jordan Peterson

 

Uma Bica, Faz Favor!

Uma conversa recente fez-me mudar de opinião em relação aos motivos que têm levado à polarização politica. Enquanto eu argumentava que a única acção que a malta tomava era opinar na mesa do café, o S. notou que o que está a faltar é mesmo a conversa na mesa do café.

Toda a argumentação é agora feita através e por detrás de um ecrã, em que procuramos e nos juntamos com quem connosco concorda e do mesmo ponto de vista partilha.

O anonimato que estes meios de interacção permitem ao ‘guerreiro do teclado’ faz baixar o nível de civilidade. Faz aumentar os níveis de cobardia, escrevendo o que nunca se diria olhos nos olhos, à mesa do café.

Isto não promove de todo uma discussão saudável. Toca a ir para o café! (sem wi-fi)

 

Liberdade de Expressão

Acima de tudo, preocupa-me uma tendência comportamental que está activamente a promover a limitação da liberdade do indivíduo – a meu ver o mais alto valor de qualquer sociedade.

Uma das suas componentes – a liberdade de expressão – está especialmente a ser atacada sob a alçada do Politicamente Correcto. Esse veneno que procura impor regras ao discurso.

Esta exigência de limitar as palavras do outro são justificadas com sentimentos como compaixão, bondade e empatia, mas mais não são do que chantagem moral para uniformizar e impor a forma como se vê o mundo.

Mas estes ataques à forma como nos expressamos têm como consequência (objectivo?) um resultado bem mais perverso. Ao limitar o modo como falamos e quais as palavras que podemos ou não usar, inevitavelmente limitaremos a forma como pensamos.

No seu livro 1984, George Orwell explica isto de forma exemplar. A ‘fala nova’ (newspeak) e o seu associado ‘duplo pensamento’ (doublespeak), faz com que a maioria das palavras sejam inteiramente apagadas e as que se criam tenham significados opostos – tornando-se assim mais fácil censurar independentemente do que se diz.

Vale a pena ver este vídeo que – comparando com a realidade actual – argumenta o livro (publicado em 1949) como sendo um documento profético.

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Deparei-me com constantes e variados ataques à liberdade de expressão em sociedades ocidentais:

  • Estudantes, convencidos da sua superioridade moral, recorrerem à violência para impedir que pessoas com uma opinião diferente falem;
  • Legislação que obriga o uso de determinada linguagem sob risco de prisão (isto é inédito em sociedades democráticas e a meu ver, tão perigoso como a proibição de discurso);
  • Órgãos não eleitos que impõem vontades que vão contra os desejos de países democráticos;
  • Cidadãos europeus são presos e até mortos pelo crime de ofenderem alguém (normalmente um grupo) ao exercerem o seu direito de se expressarem livremente.

Até a PETA quer eliminar linguagem anti-animal – faz sentido porque deixar o Bobby na berma da estrada para ir de férias descansado… é chato; fazer o touro sofrer na arena para o nosso entretenimento… é tradição; agora, causar trauma ao bichinho por causa da linguagem que usamos é que é inaceitável.

 

Tudo isto me preocupa especialmente porque a liberdade de expressão é o mecanismo que me permite pensar em voz alta. É o mecanismo que faz sociedades funcionar. E porque as minhas ideias e argumentos não são perfeitos nem foram ainda escrutinados, estou destinado a articulá-los de forma desajeitada e incoerente. Porque antes de se conseguir resolver um problema, este tem de ser formulado de forma precisa.

É da perscrutação dos factos, raciocínio lógico e do diálogo que dai advém, que se confirma a validade ou não do pensamento exprimido. É a liberdade de dizer disparates – sem medo de represálias, tanto legais como de segurança pessoal – que nos faz mover em frente.

 

Enfim, este meu percurso tem sido um de confronto entre conceitos adquiridos ‘a priori’ e factos que evidenciam uma realidade até então desconhecida.

Mas é sempre de uma dificuldade enorme admitirmos que podemos estar errados… o ego e a vontade de termos (e fazer valer a nossa) razão normalmente prevalecem!

Contra isso lutemos e comecemos por ter curiosidade em ouvir. Que este texto sirva para espicaçar mentes inquiridoras e ponderar a viabilidade das ideias de forma séria!

 

Obrigado

Saliento a contribuição e exposição das ideias de um grande número de indivíduos:

Sam Harris, Steven Pinker, Jonathan Haidt, Douglas Murray, Christina Hoff Sommers, Gary Orsum, Jessie Lee Peterson, Camille Paglia, Black Pigeon Speaks, Ben Shapiro, Paul Joseph Watson, Maajid  Nawaz, Lauren Southern, Computing Forever, Carl Benjamin, Stefan Molyneux, Milo Yiannopoulos e muitos outros.

Engraçado (ou não), todos estes já foram acusados de serem de extrema-direita e vozes da Alt-Right, excepto Jessie Lee Peterson devido ao tom de pele, e Maajid Nawaz por ser muçulmano – mas não deixam de ser rotulados de intolerantes.

Sugiro que cliques nos links acima providenciados, oiças e decidas por ti. Não concordando com tudo o que dizem, nem com todas as posições que defendem, são unânimes e intransigentes na defesa da liberdade de expressão e na priorização da Razão sobre a Emoção.

Acima dos demais acima (?!?), quero salientar Jordan Peterson – um intelectual brilhante com uma capacidade extremamente bem trabalhada de articular as suas ideias e argumentos. Também não concordando com tudo o que defende, aspiro à sua eloquência e agradeço ter-me reensinado aquilo que no fundo já sabia, mas não tinha capacidade de verbalizar.

Recomendo vivamente a leitura do seu livro, ’12 Regras Para A Vida’.

 

Em termos de recomendações mais passivas, sugiro a série televisiva Cosmos do Neil Degrass Tyson, que segue nas pisadas da série com o mesmo título do Carl Sagan dos 80s. Não só expõe a importância do método científico e os avanços que nos permitiram uma existência cada vez mais confortável, mas demonstra também a nossa ignorância e o inflado sentido de importância que nos atribuímos. Somos pequeninos, tão ridiculamente pequenos.

 

Recurso Vital

Mas não sou gajo para somente me queixar do que vejo como nocivo. Ao longo deste documento sugiro algumas possíveis soluções, mas a mais importante e eficaz não é nada de novo visto que o fazes desde que nasceste… respirar!

Reaprende que levas contigo uma fonte inesgotável (até ver) de potencial calma e claridade.

A minha experiência pessoal mostra-me que ao implementar o simples hábito de respirar de forma deliberada, a gestão das minhas emoções – especialmente as negativas – torna-se mais curta e eficiente. É como que escolher sofrer menos.

Aprender com o passado mas sem nele ruminar. Planear o futuro mas sem nele viver. Pôr de lado a tácita aceitação de “Se/Quando… então serei feliz!”

Respira fundo agora…
E mais uma vez…

 

Comecemos!

 


 

POLÍTICAS DE IDENTIDADE

Sendo humanos temos medo do desconhecido. Então, para nos sentirmos confortáveis procuramos os rótulos. Pelo simples acto de nomear, a coisa torna-se menos assustadora e ficamos com a ilusão de saber não só o que o outro pensa, mas quem é.

Como que sabendo a minha posição em relação ao aborto (já agora, sou 99.9% contra mas 100% a favor da mulher poder escolher o que quer fazer com o seu corpo), sabes instantaneamente qual a minha posição em relação a saúde, imigração, ambiente, educação, economia, etc. Chama-se a isto Politicas de Identidade.

Sem dúvida que precisamos de identificar e atribuir definições às coisas, mas não creio que isto seja suficiente para estas deixarem de meter medo. Creio que somente enfrentando (um acto de coragem quando receamos) e falando das coisas é que conseguiremos fazer sentido delas.

Não creio ser possível de todo rotular cada indivíduo de acordo com a maneira como vê as várias facetas da realidade. Nem reduzido a um grupo de dois – tu e eu – haveremos de encontrar 100% de consenso.

Estou destinado a concordar contigo numa série de ideias, logo estamos certos de “verdades” inabaláveis. E estamos destinados a discordar num número de outros assuntos, logo somos intolerantes aos olhos do outro. Não creio que esta maneira de discutir seja benéfica para ninguém.

Consenso não é sinónimo de bom e discórdia não é sinónimo de mau.

 

Quer-me parecer que estamos agora a viver numa Idade da Emoção, sendo que a Razão vem só a seguir aos sentimentos do indivíduo. Pior, muito pior, vem só a seguir aos sentimentos dos grupos com que o indivíduo se identifica – identificação por associação.

As actuais políticas de identidade promovem uma argumentação política e uma classificação do grupo principalmente baseada em género, raça, etnia, sexualidade e religião.

As ideias em si não são relevantes, o que é importante é o quão oprimido é o grupo a que tu calhas pertencer. Estes grupos competem entre si de forma a fazer valer o seu estatuto de maior vítima, qual o mais oprimido. E assim desta forma, merecedor de mais compaixão, empatia e ajuda… enfim, mais direitos.

Mas não creio que possa haver direitos para grupos, apenas para indivíduos. Enfim, chamem-me esquisito mas defendo direitos universais e não grupais. Aliás, nem vejo como seja possível a implementação de tal, especialmente com a noção de interseccionalidade presente.

 

Interseccionalidade é normalmente um tipo de política de identidade em que o valor da tua opinião é dependente do número de grupos vitimizados a que pertences. Deste modo se fores uma mulher negra, muçulmana, transsexual, o teu estatuto de vítima é maior do que se fores “só” branca, muçulmana e transsexual.

Afinal de contas o que é que essa/esse branquelas sabe o que é sofrer a opressão de ter uma tez mais escura?

Basicamente, quantas mais afiliações de grupos oprimidos tiveres, mais lesado és, maior a tua classificação de vítima e mais válida a tua opinião. E todos os outros (tu e eu), “temos que respeitar” toda a verborreia e incongruência que sai da boca de membros de grupos oprimidos.

Pior ainda, são estas políticas de identidade darem a autoridade ao indivíduo de falar em nome de um dos grupos a que pertence. Dando seguimento ao exemplo acima, tudo aquilo que a pessoa diz representa a posição de todos os transexuais, todas as mulheres (se bem que não tens um único cromossoma XX), todos os muçulmanos e todos os negros.

Lá por pertenceres a um clube, isso não faz de ti um porta-voz desse clube. Se não foste eleito como representante de determinado grupo eu não te reconheço como tal. E vou lidar contigo como um indivíduo e não como um delegado do grupo A ou B.

 

As sociedades ocidentais foram fundadas nos princípios de direitos e responsabilidades do indivíduo, não do grupo – e tem funcionado bem até aqui. Podendo sempre ser melhor, não é valorizando o grupo à custa do indivíduo que tal acontecerá – a evidência histórica mostra isso mesmo.

 

Seguindo um raciocínio lógico, se tens grupos oprimidos e vitimizados tem de haver grupos opressores. Foi assim que fiquei a saber que o grupo mais opressor de todos é o do homem branco heterossexual. Esta aprendizagem foi um choque para mim.

Fiquei a saber que sou um tirano opressor devido à cor da minha pele, género e orientação sexual. Fiquei a saber que sou um privilegiado por causa dessas características. Fiquei a saber que oprimo a minha parceira e as minhas filhas. Fiquei a saber que o meu filho de quase 2 anos é também um opressor de mulheres e minorias e que as escolhas que fizer ao longo da sua vida em nada vão mudar essa verdade… a não ser, claro, que ele seja homossexual, decida mudar de sexo ou converter-se ao Islão.

O meu filho, o meu irmão, o meu pai, o meu sogro, os meus cunhados, a maioria dos meus amigos e eu, pertencemos a um grupo extremamente privilegiado por causa da cor da nossa pele; daquilo que temos no meio das pernas e o que preferimos fazer com isso… nascemos membros do Patriarcado opressor e beneficiários de Privilegio Branco.

 

Se acusar um grupo de pessoas de crimes baseado principalmente na cor da pele não é racismo, o que é que é? Tu és unicamente responsável pelas tuas palavras e acções, não podes ser vilificado por aquilo que um gajo exteriormente parecido contigo diz ou faz.

Por isso é que concordo com aqueles que defendem que deve-se trazer a responsabilidade de volta para o indivíduo e não para a miríade de grupos a que este pertence. Mas o que é que eu sei sobre isto? Absolutamente nada, afinal de contas eu sou um homem branco heterossexual.

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Identificação com o grupo é fácil e confortável. Faz-nos sentir incluídos e aceites – desde que não desvies um milímetro dos ‘valores grupais’, que ironicamente estão em constante mutação. Identificação com o grupo, não requer grande raciocínio porque já alguém o fez por ti (normalmente a última pessoa que quererias).

Escolher a identificação do grupo é escolher entregar a nossa individualidade. Identificação com o grupo faz com que paremos de usar o nosso espirito crítico, aceitando ideias sem as pormos à prova. Já o individualismo obriga a manter o racional dos nossos motivos e posições mais presente de forma a melhor os podermos justificar.

No entanto, somos todos especialistas em encontrar as justificações que sustentam o que quer que seja que escolhemos acreditar.

 

“Isso é ofensivo!”

Noto que hoje em dia existe uma facilidade imensa de alguém se sentir ofendido – como é que podia ser de outra maneira com tantas vítimas por aí? Normalmente em nome de um grupo (podendo o ofendido nem a ele pertencer) alimenta-se uma fragilidade emocional inédita.

Estamos a atravessar um tempo em que o sentimento de ofensa rege a forma como conversamos, educamos e até como legislamos.

Como é que é possível discutir qualquer coisa de importância sem ofender ninguém? A ofensa é um sentimento. Assim sendo, é pessoal e dependente da personalidade, educação e experiências do indivíduo, logo extremamente subjectivo.

O que me ofende a mim pode não te ofender a ti e vice-versa. Qual a solução? Não falar com medo de ferir sentimentos? Não me quer parecer que seja esse o melhor caminho.

Se a realidade ofende o teu sentido de identidade, então os teus problemas vão bem para lá das palavras que eu escolho usar.

 

Não é responsabilidade dos outros proteger as tuas fragilidades emocionais quando se discutem assuntos de uma qualquer importância. Numa discussão de um para um é mais fácil ter um discurso moldado às sensibilidades dos intervenientes, mas torna-se exponencialmente mais complicado à medida que o número de participantes aumenta.

Abordando uma multidão, que conjunto de palavras vais escolher para não ofenderes ninguém? Achas que é possível?

 

E já agora, desde quando é que eu tenho de viver as tuas experiências para te compreender? Para saber o quanto tu sofres ou beneficias delas?

É o direito de te expressares livremente que faz com que a minha experiência se enriqueça com o relato da tua.

 


 

EDUCAÇÃO

Começa obrigatoriamente em casa.
No entanto, muitas vezes – devido ao tempo e esforço que as nossas prioridades exigem e também aos constantes estímulos a lutarem pela nossa atenção – os pais sentem-se confortáveis em alocar a responsabilidade pela educação dos filhos às instituições sociais.

Considero isto perigosíssimo, não só porque é uma transferência de responsabilidade desengenhosa, mas também porque nem sempre os valores das escolas estão alinhados com os do agregado familiar.

 

Quando uma criança até aos 9-12 meses chora, tu corres e acodes qualquer que seja a necessidade solicitada (sendo que muitas vezes descobri-la é um processo iterativo). A partir desta tenríssima idade, há que distinguir entre o choro genuíno e a proverbial “fita”. E os pais tornam-se peritos em diferenciar.

Não te esqueças que esse bichinho lindo que amas é uma esponjinha bem absorvente, e que pertence a uma espécie animal perita na identificação de padrões: “Se cada vez que choro, alguém se apressa a me acudir, então – estando eu no centro de toda a existência e não existindo nada mais para além disso – num pranto alcançarei a atenção que me é devida… porque, no fundo, tudo me é devido.”

Acredito genuinamente que os pais que apaziguam todo o choro estão a criar uns pequenos ditadores. E esse comportamento não é de todo compatível quando as crianças têm mais tarde de interagir com outras crianças e adultos.

 

Quando as crianças são muito novas, os pais são essenciais para o apego emocional da criança. Mas quando crescem, o mais importante é a aceitação dos seus pares. Todos nós procuramos a sua validação e quando a não temos, sofremos.

Para a criança é igual, mas quando não está preparada para criar e negociar as regras necessárias para a brincadeira com os outros, então sofre com o resultado das suas tentativas de impor a sua vontade. As outras crianças não querem brincar com ela, ou então pega na bola e vai-se embora – porque a bola é dela! 🙂

Acho bastante positivo quando uma criança com 5 anos já sabe escrever, ler e fazer contas, estando assim dotada de ferramentas importantíssimas para melhor apreciar o mundo.

No entanto, acho que a principal responsabilidade dos pais (juntamente com a de incutir valores como honestidade, responsabilidade, amizade, diligência e solidariedade) deve ser a de tornar os seus filhos em seres sociáveis. Vejo como responsabilidade imensa para com a minha procriação, a de criar seres humanos com que as outras crianças querem brincar e que os adultos têm prazer em ter à volta.

Independentemente do que serão quando forem grandes, é evidente que – excluindo os eremitas – todos terão que interagir com uma miríade de pessoas bem diferentes. Dotadas da capacidade de socialmente ‘negociar, os adultos de amanhã tornam-se hoje mais resilientes à adversidade (que inevitavelmente se irá demonstrar) e mais competentes para a superar.

 

Os Meus Educandos

Acho muito mais nobre e importante ensinar responsabilidade aos meus filhos do que os seus direitos.

A mensagem que lhes quero passar é mais ou menos esta: “A vida é uma dança constante entre a Ordem e o Caos. Nenhum destes estados é eternamente absoluto e muito depende de ti para trazer a Ordem de volta. Já o Caos está sempre à espreita e vai inevitavelmente aparecer.
A vida não é justa e a realidade está-se bem borrifando naquilo que sentes. O melhor que tens a fazer é aceitar e lidar com as coisas como elas são e não ficares-te a lamentar desejando que fossem de outra maneira – o mundo não gira à tua volta.
Queres ser feliz? Encontrar “significado” na vida? A melhor maneira que vejo de o alcançares é esqueceres os teus direitos por um momento e dedicares-te a fazer algo de útil. Pensa no que é que podes fazer pela tua família, comunidade e sociedade. Assume responsabilidade pelas tuas decisões e acções. Procura e escolhe carregar um fardo que contribua para o melhoramento da nossa condição.”

Mensagem dura para uma criança? Talvez, mas tento-a transmitir com uma narrativa que inclui ursinhos cor-de-rosa e arco-íris. Para além do mais, quem disse que a vida é mole?

Ser filho não é fácil! Ser pai também não! Não é, pai? E visto que ninguém nasce pai, é daquelas “verdades” que só se realiza quando te tornas!

 

Liberdade Infantil 

A minha infância foi passada a brincar na rua e a maioria do tempo os meus pais não sabiam por onde andava. Mas no papel de pai, será que estou disposto a fazer o mesmo? Sinceramente a ideia de ter a minha canalha a brincar na rua sem supervisão não me apraz… mas isso é um trabalho individual que tenho de desenvolver e vamos ver no futuro – afinal de contas a minha mávelha só tem 5 anos.

 

Durante as décadas de 80 e 90 houve uma grande mudança quando – movidos por um medo (promovido pelos meios de comunicação social) de raptos, assaltos e de bullying das suas crianças – os pais deixaram de permitir tempo não-supervisionado aos filhos. Inclusive, alguns estados dos Estados Unidos tornaram ilegal deixar crianças não supervisionadas, brincar na rua.

Isto significa que gerações inteiras de crianças nunca aprenderam a resolver os problemas entre elas e dependeram sempre de um adulto para o fazer. Às crianças foi-lhes negada a oportunidade de aprender a lidar com insultos, provocações e exclusão (e todos nós somos excluídos de uma maneira ou outra).

Os denominados ‘bulldozer parents’ – assim denominados por destruírem tudo à volta da criança que possa causar adversidade – não estão a proteger os seus filhos. Antes pelo contrário, estão a aleijá-los para o resto da vida. Estão a impedi-los de desenvolver a resiliência e competências necessárias para lidar com a realidade e os problemas que certamente aparecerão.

As crianças precisam de estrutura e autoridade, mas em vez disso, muitos pais tentam ser amigos dos filhos.

Ao proteger as crianças de toda e qualquer potencial ameaça, quando estas forem confrontadas pela inevitável adversidade, (por mais pequena que seja) irão sofrer de forma intolerável.

Se a criança nunca teve que lidar com qualquer dificuldade, como é que podemos esperar que o adulto funcione no “mundo real”?

 

Creio que ter sempre uma figura de autoridade a que se recorre para arbitrar cada vez que há conflito, está também na génese da cultura de vitimização – “eu vou argumentar para o castigares a ele em vez de me castigares a mim” (i.e. ELE opressor, EU vítima).

Jonathon Haidt no seu livro “The Coddling of the American Mind” nota que foi a partir de 2013, 2014 que os alunos em algumas universidades dos EUA começaram a exigir regras para limitar o discurso que consideravam ofensivo ou prejudicial – até então a luta tinha sido unicamente pela liberdade de dizer o que se quisesse.

Ele argumenta que as plataformas de social media (especialmente o Facebook) serviram para espalhar as “normas do grupo” que infelizmente revolvem à volta da cultura da vitimização com um discurso politicamente correcto.

 

Estou convencido que pais, professores, comunicação social, social media e governação, estão a promover uma estratégia educativa (e não só) baseada principalmente na protecção dos sentimentos… da criança, dos pais, primos, tios, avós e vizinhos.

 

O Casal

Acho extremamente prejudicial entregar um bebé de 6 meses a uma instituição durante 10 horas do dia, enquanto ambos os pais vão fazer uns euros. A responsabilidade pela educação dos teus filhos é tua e intransmissível.

Sendo os 1ºs anos cruciais ao seu desenvolvimento, não só físico, mas principalmente emocional, a tua escolha é subcontratar essa responsabilidade a quem não está afectuosamente investido na criança?

 

Até a criança ter 3-4 anos, o agregado familiar com um só salário (um dos pais a tempo inteiro com a criança) traz um maior benefício para todos os elementos da família, especialmente as crianças –  e a todos nós como consequência. Um modelo familiar em que há um cuidador e um ganhador.

Estas responsabilidades complementares são essenciais uma à outra e defendo leis que promovem a escolha desta divisão laboral. Devia haver enormes benefícios para quem escolhe ficar em casa a cuidar do nosso futuro e também do nosso passado.

Se é o pai ou a mãe que fica em casa, é o resultado de uma negociação entre o casal. Eu acho que ambos o devem fazer, ficando primeiro ficar a mãe e depois o pai. Mas normalmente, de quem escolhe este caminho, continua a trabalhar quem ganha mais – mais vezes que não é o pai.

Mas estou ciente de outros imperativos que não permitem esta visão. Nomeadamente aquilo que definimos como “essencial” em termos materiais. Podíamos agir nas palavras do grande Sr. Palma Reduz as necessidades se queres passar bem, mas isso requer sacrifícios e este conforto é bom demais.

Outro factor deve-se em particular à personalidade de cada indivíduo, que obrigado a ficar em casa a cuidar de uma criança poderá sofrer repercussões do foro mental. Inclusive criar ressentimentos em relação à criança, o que não é de todo desejável.

 

Sei bem o quão trabalhoso e exigente é ser o principal cuidador de uma criança com menos de 1 ano, juntamente com a responsabilidade de todas as tarefas domésticas. Quando voltei ao trabalho depois de 4 meses a cuidar da minha primogénita, foi com um genuíno sentimento de ir descansar.

Cá por casa, achamos que o melhor para os nossos filhos – e estando todo o apoio familiar (i.e. os avós) nas antípodas – é ter um de nós a cuidar deles. A Catarina, que preferia estar a fazer trabalho remunerado, cuida dos 3 com um muito raro espirito de sacrifício.

Ela não gosta mais deles do que eu, mas acho difícil conseguir fazer o que ela faz.

Tenho também desenvolvido uma grande aversão à forma como usamos os ecrãs e deixo aqui a minha crítica aos graúdos que os usam como forma de ter sossego. Se é para delegar a educação dos teus filhos ao ipad mais vale ser o estranho no infantário.

 

Pelo Mundo

Desconheço por completo a actual realidade educativa em Portugal e conto contigo para dares uma vista de olhos. No entanto, encontrei muita informação sobre o que se tem passado em universidades nos Estado Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, especialmente em cursos de Humanidades e Ciências Sociais. Aquilo com que me deparei causou-me uma certa apoquentação.

Cursos (“Estudos de Género”; “Estudos de Mulheres”; “Estudos Negros” – ou seja, estudos que começam com a palavra “Estudos”) cujos conteúdos não têm qualquer valor comercial, servem principalmente para promover uma evangelização do conceito de construção social.

A narrativa é uma que defende todas as características do indivíduo (género, raça, idade, etc.), como sendo socialmente construídas e que é aquilo com que uma pessoa se identifica que é a “verdadeira verdade”.

Assim torna-se mais fácil explicar a minha opressão. E eu sou oprimido porque tu não respeitas a minha identificação… a minha rejeição da realidade.

 

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1º Semestre de Estudos de Género

 

Parece que as universidades são agora uma extensão do infantário com uma protecção desmesurada dos sentimentos dos alunos.

Aulas que começam com avisos do docente sobre a sensibilidade da matéria do dia e a possibilidade de causar/reavivar trauma nos alunos – os chamados “trigger warnings”: avisos sobre o conteúdo de um determinado material que pode, entre outras coisas, activar memórias e causar algum efeito de stress pós-traumático nas pessoas, o que vai desde um pequeno desconforto até um ataque de pânico.

Professores com receio de opinar, não vão eles causar danos mentais irreparáveis com as suas “micro-agressões”. Muitas vezes obrigados a pedir desculpas públicas, quando alguém (normalmente em nome de um grupo) se ofende; e até serem despedidos.

Nestas instituições está implementado o DIREITO de ninguém se sentir ofendido. Respira.

A criação de “espaços seguros”, salas em que os alunos têm a garantia dos seus pontos de vista não serem postos em causa. Comités de censura são criados “para poderem vetar potenciais oradores, assim garantindo que ‘grupos sem poder’ estão protegidos de ideias e discursos que consideram ofensivo e prejudicial.” Respira.

 

O mundo não é um “espaço seguro” – está repleto de maldade e ideias perigosas. Mas temos que nos questionar o que é que queremos para o nosso futuro e com que ferramentas com ele lidar.

Queres jovens adultos que nunca se sintam ofendidos (dada a subjectividade deste sentimento não sei como é que tal é possível), ignorantes da realidade e que se escondem debaixo da cama cada vez que o seu ponto de vista é posto em causa?

Ou queremos expô-los aos factos e a opiniões diferentes tornando-os assim mais resilientes, informados e capazes de lidar com os problemas de amanha?

Os espaços seguros e trigger warnings (instrumentos de protecção emocional) estão a roubar uma geração inteira do direito de pensar clara e criticamente. O que é que se pode falar que não desperte uma qualquer emoção em alguém? Com que capacidade ficamos para tomar decisões sobre as coisas que importam?

Assim caminhando, quando saírem para o mundo do trabalho, já bem endividados da sua “educação” e só conseguirem trabalho servil, os níveis gerais de ressentimento escalarão ainda mais.

 

Estudantes recusam-se a ouvir opiniões que vão contra as suas, recorrendo à violência de forma a impedir o outro lado de falar. Já sou cota e deveras ignorante das dificuldades de ser jovem hoje em dia, mas nunca me passou pela cabeça pegar fogo à minha universidade, e muito menos com o objectivo de censurar. A liberdade de expressão não tem sido usada para enriquecer o debate mas sim para o desligar.

Motivados e muitas vezes encorajados pelos professores, alunos embarcam nestes actos terroristas com uma convicção inagitável da sua superioridade moral em relação àqueles que criticam.

Como é que podia ser de outra maneira, tendo eles passado a vida a serem convencidos do quão especiais e virtuosos são? Como é que podia ser de outra maneira se nunca ouviram falar de deveres, somente de direitos? Como é que podia ser de outra maneira quando acabam em último mas recebem uma medalha à mesma?

 

E o que é que acontece quando entram no mercado de trabalho? Qual não será o choque e ofensa tomada quando o empregador lhes negar um espaço seguro? Estes flocos de neve estão destinados a derreter e muito sofrer. Olha, outra rima!

Qual é o profissional que queres contratar? Qual o cirurgião que vais escolher para operar a tua filha? Aquele que saiu da aula quando o professor avisou que haveria “imagens possivelmente traumatizantes”?

Continuando por este caminho teremos incompetência, uniformização de pensamento, uma protecção doentia de sentimentos e inevitavelmente retrocesso. Enquanto espécie, chegámos até aqui com princípios de cooperação e competitividade, interpretando e adaptando-nos à realidade demonstrada – não foi criando realidades desejáveis.

 

As universidades têm de ser sítios onde tudo se questiona e debate. Foi principalmente lá que fui confrontado com visões diferentes das minhas. E é nesta exposição à diversidade de realidades que começa o processo intelectual da procura da “verdade”.

Cujo resultado último é o afinamento dos instrumentos que nos fazem progredir e melhorar.

 

Precisamos de sociedades intelectualmente e emocionalmente vigorosas capazes de lidar de forma racional com a realidade apresentada. Precisamos que as nossas escolas abordem esta necessidade. Acho impressionante ter que dizer isto!

Precisamos de razão e racionalidade, não de triagem moral.

 

A deliberada corrupção do ensino superior – Doutrinação em vez de Educação

O que há de errado com as universidades hoje em dia? Isso pode ser solucionado?

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Universidades de Esquerda

 

Um Bom Exemplo

Na Suécia, os alunos a partir dos 11 anos têm aulas práticas de tarefas domesticas onde cozinhar, lavar roupa, costurar e remendar é matéria obrigatória. Esta prática é suplementada por aulas de economia doméstica e de direito do consumidor – aos 17 anos, os alunos são capazes de cuidar deles próprios e da casa. Isto promove não só o desenvolvimento de competências e confiança, mas também um sentido de responsabilidade essencial.

Eu aos 17 não sabia estrelar um ovo, nem nunca tinha feito uma máquina de roupa. Hoje em dia, na nossa casa, encontrámos o nosso equilíbrio também no que toca às tarefas domésticas e em relação à Catarina não há nada que eu não faça (se bem que ela faz mais), excepto dar à luz e de mamar… ah e cortar as unhas aos miúdos (nã me peçam, nã me peçam quê nã consigo!)

 


 

COMUNICAÇÃO SOCIAL

De uma ou outra maneira todos nós somos tendenciosos com a nossa maneira de ver o mundo – isto é fruto da nossa criação, experiências e o meio que nos rodeia. Os meios de comunicação social, não sendo nisto diferentes do indivíduo (ou não fossem eles compostos de indivíduos), estão obrigados a um padrão de objectividade e imparcialidade superior. Têm o dever de apresentar todos os factos e se sobre eles quiserem opinar e tender, tudo bem.

 

É para mim, responsabilidade dos órgãos de comunicação social evitar a cultura do “Áa, apanhei-te!” Por causa de uma gaffe ou uma ideia pobremente exprimida, põem-se em causa todos os pontos de vista do indivíduo – o ataque pessoal em vez do escrutínio da ideia. Temos que nos dar ao trabalho de analisar os pontos de vista específicos e os seus méritos.

Igualmente desonesto e perigoso é pôr alguém num pedestal por regularmente dizer algo meritoso, e assim concluir que tudo o que lhe sai da boca é digno de veneração.

 

Discussões recentes insinuam que também em Portugal, a comunicação social não providencia todo o espectro de opinião e factos que o profissionalismo da ocupação obriga. Estou em crer que só um lado da argumentação é que tem plataforma, silenciando outros pontos de vista com rótulos de intolerância.

Confesso que daqui Down Under pouco mais sigo do que a actualidade desportiva portuguesa. Gosto de saber como é que o meu Benfica vai, mas agora não quero falar muito disso… talvez em Maio. Não sei o que dizem o Expresso, o Público, o Jornal e o Diário de Noticias, ein soi on, ein soi on (vocês sabem do que é que eu estou a falar).

No entanto, enquanto em Portugal no verão passado, li as gordas do Expresso e alguns artigos. Não encontrei nada que se assemelhe à argumentação que mais abaixo apresento. Li um artigo sobre a emigração em massa para a europa, onde dois protestos ocorreram simultaneamente.

Dum lado estavam os virtuosos defensores das fronteiras abertas, com mantas e comida para receber os pobres emigrantes que muito tinham sofrido para ali chegar. Já do outro lado, encontravam-se grupos de extrema-direita violentos que protestavam o ataque às suas fronteiras.

Será que conheces os argumentos desses “neonazis”? Já os ouviste? Já os ponderaste? A verdade é que ainda não encontrei, nem ninguém ainda me enviou a notícia ou artigo de opinião que defenda uma política de emigração mais proteccionista.

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Eu estou longe de me considerar um extremista (quem é que está?), no entanto estou inteiramente contra as políticas europeias de migração dos últimos anos. E que plataforma espero eu ter com o que defendo? Eu estou no saco da intolerância com um qualquer rótulo acabado em ‘ista’ ou ‘fobo’.

Temo que seja corrupção intelectual deliberada. Ao nos renunciarem todos os factos e apresentando somente uma das narrativas da argumentação, privam-nos do nosso direito de pensar. Não só homogeneizam o pensamento geral, mas também tratam-nos como se não fossemos capazes de lidar com a evidência e os problemas daí originados.

Não tenho dúvidas que tendo acesso a melhor informação conseguiremos distinguir entre o que é importante e o que não é. Ter acesso a todos os factos e variedades de opinião é a única maneira de, em conjunto, tomarmos decisões informadas.

Mas lá está, uma população informada é uma população perigosa. E como pensar e discutir dá muito trabalho, sossegadamente aceitamos uma dieta de pão e circo.

Por outro lado, pode ser que esteja enganado. Espero que sim. Respira.

 

Quando a ideologia se sobrepõe ao rigor profissional, temos maus jornalistas… ”Então, o que está a dizer é…?

 


 

RELIGIÃO

Eu tive uma educação religiosa. Andei na catequese, fui à missa e fiz a 1ª comunhão. Fruto do meu meio, considerações menos crentes eram raras. Quando fui estudar para Lisboa, fui exposto a outras realidades que me fizeram questionar muita coisa até aí tida como certa e absoluta.

Gradualmente – e à medida que fui sendo cada vez mais exposto à ciência, ao seu método e à sua história de quebra de barreiras até então unicamente explicáveis pela “vontade do Senhor” – fui perdendo a minha religião.

No entanto só recentemente encontrei (procurei) os argumentos que sustentam esta posição ateísta. São particularmente atractivos porque se baseiam em raciocínio e lógica, e pessoas como Sam Harris, Richard Dawkins e o enorme Christopher Hitchens articulam-nos melhor do que alguma vez conseguirei. Não me vou debruçar sobre eles, porque o intuito deste manifesto é outro.

No entanto deixo aqui uma lição que aprendi com esta religiosa procura e que creio ter uma aplicação bastante vasta (inclusive este texto) – acreditar em algo sem evidência não é virtude, é credulidade.  

Quero salientar, no entanto, que apesar de eu não acreditar que o universo tenha sido criado por um ser todo-poderoso, não posso negar que estamos condicionadíssimos pela nossa cultura judeo-cristã e as historias que partilhamos há já quase 4 mil anos. Sem dúvida que os nossos valores evoluíram também daí.

 

Mas abordo agora o actual papel da religião tal como o vejo.
Se escrevesse estas palavras nas décadas de 30 e 40, a minha aversão seria direccionada à igreja católica e ao seu aberto apoio aos vários movimentos fascistas da altura. Cólera essa que nutro ainda hoje, fruto especialmente da institucionalização de abuso infantil e a protecção dada a esses criminosos hipócritas.

No entanto, é para mim aparente que a pior forma que a religião toma hoje em dia é a do Islão. Quer-me parecer a mim que a única coisa (mas estão-se a criar mais) que está livre de criticismo e sátira (distinguidos valores ocidentais), é o Islão.

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Cartoonistas são massacrados por exercerem a sua liberdade de expressão – esse conceito que acordamos ser um direito. E qual é a mensagem passamos?

Primeiro dizemos que não é a religião que gera tais actos. Depois – quando descobrimos que os terroristas não estavam a gritar “Em nome de Jesus Cristo nosso senhor!” – perdoamos a ideologia porque no fundo, no fundo, “o Islão é uma religião de paz” e “o que ’Jihad’ realmente significa é ‘luta interna’”.

Justificamos estes actos com o direito que os crentes têm de não se sentir ofendidos.

O que deveria ter sido feito na altura era todos os meios de comunicação social publicarem as imagens, mas praticamente ninguém o fez. Esta exposição global não só serviria de protecção para todos, mas mandaria uma mensagem bem clara sobre o que são os valores ocidentais. Mas não, escolhemos o caminho da cobardia mascarada de tolerância e por lá continuamos a caminhar.

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Outra justificação enraizada é que o problema são os fundamentalistas e que são uma pequena percentagem dos crentes. Num grupo de 1500 milhões, 1% (para ser conservativo) são 15 milhões de fundamentalistas. O problema não está no fundamentalismo (quanto mais fundamentalista um Budista for menos temos que nos preocupar com ele), mas sim nos fundamentos do Islão.

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Para quando o murro na mesa? Gritar alto e em bom som ”Nesta terra, tens o direito (os nossos valores assim o ditaram) de venerar o Amigo Imaginário que quiseres, mas aqui, nem nada nem ninguém está isento de criticismo – por aqui enfiamos preservativos no nariz do Papa. A liberdade de expressão é para nós um direito fundamental. É essencial para pensar, crescer e melhorar.”

Mas não! Em vez de fazer valer os superiores valores Ocidentais – cada vez que uma bomba, camião ou faca são usadas como armas de terror em ruas europeias – mudamos o nosso filtro do Facebook e juntamo-nos todos num qualquer parque para acender umas velas e cantar o ‘Imagine’.

Neste momento, está normalizado o facto que europeus irão morrer em nome de uma ideologia religiosa.

 

Há que salientar que o Islão não é somente uma religião – o Estado e a Lei são indissociáveis do dogma religioso.

Outro ponto também para reflectir é que o Islão foi fundado por um guerreiro pedófilo que espalhou este sistema através da espada. Ao contrário do Cristianismo que é baseado na rendição e submissão.

 

Vale a pena ver os resultados de uma investigação para o Channel 4, mas o programa sumariza bem os pontos de vista da comunidade muçulmana no Reino Unido: “What British Muslims Really Think”

Para mim, o mais chocante desta investigação é que 2/3 dos muçulmanos não avisariam a polícia se tivessem conhecimento de um acto terrorista estar a ser planeado. E mais de metade defende que a homossexualidade devia ser ilegal. Viva a inclusão!

Respira!

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SOBRE A NATUREZA HUMANA

Até prova em contrário, a minha estará alocada ao método científico e procuro fundamentar as minhas deambulações nos resultados que este método providencia. Deste modo, havendo provas inúmeras que a evolução é um facto, não me consigo deixar de descrever como um evolucionista.

A ciência também me define como um animal e não um vegetal ou mineral. Este animal que sou, é o produto de centenas de milhões de anos de evolução e acredito piamente que existem uma série de códigos programados no mais fundo inconsciente do nosso ‘Ser’, que são centrais à nossa existência, carácter e comportamento.

 

Motivadores

Recentemente fui questionado sobre qual o maior motivador humano: a competição ou a cooperação? Mas creio não haver dúvidas que o código mais entranhado no nosso ser é o da sobrevivência.

Dependendo da situação, ou competirás ou cooperarás de forma a sobreviver. Se existe um número limitado de parceiros sexuais, competirás de forma a garantires a sobrevivência dos teus genes. Se o predador vem para te matar, ou precisares da carne dele para sobreviver, irás cooperar com quem partilha das tuas necessidades.

De forma geral, não é uma questão de ou cooperamos ou competimos, mas sim cooperamos e/ou competimos de acordo com as nossas necessidades de sobrevivência.

 

Hierarquias

Todos os animais tendem a organizar-se em estruturas hierárquicas, não sendo o animal humano diferente. As estruturas hierárquicas que nos governam são várias (possivelmente infinitas) e incluem dimensões de saúde, beleza, inteligência, capacidade física, salario, título, bens materiais, tendências de carácter, etc.

Umas são mais tangíveis que outras, mas incontornavelmente (e muitas vezes inconscientemente), baseado na ideia que temos na nossa própria posição em determinada hierarquia, colocamo-nos abaixo ou acima dos demais.

É desejável que a queiramos subir não só pessoalmente mas para o melhoramento de todos – aqueles que a sobem produzem valor que todos usufruem. E a melhor maneira de o fazer é – armados com princípios de honestidade, cooperação e competição – enfrentar o sofrimento do mundo de forma franca, tomando responsabilidade por algo.

Hierarquias estão tao entranhadas na nossa neuro-química e são tao velhas que as partilhamos com crustáceos há já 350 milhões de anos – faxavor de ler aqui.

No entanto, igualitários defendem que as hierarquias são baseadas em opressão e são uma consequência secundária da civilização ocidental e da economia dos mercados livres. Está provado que são uma consequência da evolução, mas culpam-se os homens, o Ocidente e o capitalismo para a sua existência.

As hierarquias ocidentais tornaram as pessoas responsáveis e competentes, não dominantes e poderosas.

 


 

MIGRAÇÃO

Recentemente tive uma discussão com amigos em relação a este tema – e muito grato estou por assim ter sido, caso contrário não estaríamos agora aqui os dois, a conversar.

 

Eu defendo que a imigração não é um direito humano fundamental mas sim um acordo entre duas partes para mútuo benefício.

Eu aceitei respeitar as regras e valores de quem me acolheu e em troca contribuo para o desenvolvimento do país. Se a Austrália não tivesse necessidade do que tenho para contribuir, que direito tinha eu de exigir que me acolhessem? Na minha casa entra quem eu convido, não quem quer entrar. Na tua é igual. Porque é que a nível nacional há-de ser diferente?

Porque é que Portugal tem obrigação de receber pessoas só porque um grupo de burocratas em Bruxelas diz que tem que ser assim? Indivíduos nomeados, não eleitos e que nem sequer sabem o que é um pastel de nata.

 

UE

Se bem me recordo a União Europeia foi criada após a 2ª Guerra Mundial de forma a acabar com conflitos históricos entre países europeus (i.e. impedir a supremacia alemã).

Para mim o projecto europeu assenta(va) num mercado comum, com a livre circulação de produtos, serviços e pessoas dos e entre os estados membros. Não em organismos não eleitos imporem as suas vontades de acordo com agendas nada transparentes.

Organismos que intimidam usando o bullying aos países que não cumprem as suas sentenças, acusando-os de um qualquer tipo de intolerância e que ameaçam com sanções económicas.

Desde 2015 – quando as autoridades europeias e o FMI negaram a vontade do povo grego – que me apercebi que a soberania nacional é um conceito em decadência. Mais recentemente há o caso da não-aceitação da vontade britânica de sair da UE – a procrastinação em a implementar e mais ameaças de sansões comerciais.

No que toca a políticas nacionais de migração, as mais recentes vítimas do bullying europeu são a Hungria, Polónia e República Checa.

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Eu vejo os países como nações soberanas, independentes e responsáveis pela execução da vontade da maioria dos seus cidadãos. Vejo-as como protectoras/representantes de uma cultura  – e.g. aos olhos de um cámone, Portugal e Espanha são a mesma coisa e este nunca saberá a diferença sem as experienciar pessoalmente durante algum tempo. No entanto, tu sabes bem o quão diferentes somos. No meu entender, essa diferença tem valor, deve ser preservada e defendida.

 

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O Império

Já a meio de Novembro vi a notícia que os líderes europeus (leia-se Alemanha e o seu fantoche Francês) pretendem criar um ”verdadeiro exército europeu. Mas que bela ideia. Afinal de contas, o que é que pode correr mal ao pôr a Alemanha à frente de um poderoso exército europeu? A memória falha-me, mas acho que já li essa história em algum lado (duas vezes)… diz que não correu bem!

Qual o propósito de tal exército? Não será com certeza “convencer” países eurocépticos e que defendem a sua soberania nacional, nem fomentar uma nova guerra fria com os Norte-Americanos – esses amigos desleais que decidiram deixar de pagar as contas da NATO e que se não fosse por eles estarias agora a ler em alemão. As declarações de Nigel Farrage sobre este assunto dão que pensar.

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Possivelmente Fazer

Sou 100% a favor da europa receber refugiados. Quem foge de conflito e/ou perseguição politica deve ser recebido de braços abertos. Enquanto acho que a imigração não é um direito humano fundamental, acho que acolher refugiados é um dever.

Mas e agora? Como é que se distingue entre refugiados legítimos e emigrantes?
Depois de alguma discussão (incluindo com quem trabalha em campos de refugiados), ninguém consegue responder.

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Palavras de um Extremista Tibetano

Eu (sendo um iluminado que vê coisas que mais ninguém consegue) tenho umas ideias e sugestões sobre este assunto. Aqui as exponho para o teu escrutínio:

  • Criar centros de processamento o mais perto possível da zona de conflito – pois assumo que uma pessoa que se vê obrigada a sair de casa devido a um conflito, queira voltar o mais cedo possível para ajudar a reconstruir. E criá-los também em Marrocos, Algéria, Líbia, Tunísia e Egipto – acho que alguns destes países estariam abertos a investimento europeu.
  • Aí conduzir um processo investigativo para saber quem é quem: saber o nome, idade, família, aldeia de origem, quem mais vem de lá, etc. Verificar estes factos. Confirmando-se tratar de um refugiado genuíno recebe-lo de braços abertos. Sendo um migrante, saber que habilidades tem e que pais tem necessidade de mão-de-obra com essas competências.
  • Estes campos – obrigatoriamente geridos por quem eventualmente os receber (i.e. organizações europeias) – devem ter as condições mínimas necessárias para as pessoas viverem em segurança e com dignidade. Cuidados de saúde e educação são essenciais. Esta educação permitirá às crianças aprender a ler e a escrever e aos adultos aprenderem sobre os valores da sociedade que eventualmente os acolherá. Deste modo, quando pisarem solo europeu, o choque cultural será bem menor, assim como os atritos com as populações locais.
  • Nestes centros seriam ensinados os ofícios, a língua e a cultura de acordo com as necessidades do país que os irá receber.
  • A criação destes centros tem ainda mais vantagens. Para além de investir em países menos desenvolvidos que alguns europeus; acaba imediatamente com o modelo de negócio de traficantes de pessoas sem escrúpulos; com o comportamento criminoso de ONGs. E funciona como um dissuasivo para quem simplesmente pensa que é só aparecer e viver à custa do estado social.

É uma ideia que precisa de refinamento, especialmente a nível dos detalhes, mas se realmente houvesse vontade haveria uma maneira de a implementar em vez de simplesmente deixar entrar quem quer.

 

Efectivamente Feito

Mas o que é que nós estamos a fazer para resolver este problema migracional? Movidos por um sentimento de culpa – enraizado pelo colonialismo, 2ª guerra mundial e várias guerras imperialistasabrimos as portas a todos os que querem entrar.

Sendo que 2/3 são homens entre os 18-35 anos, a grande maioria não fala a língua, não tem qualificações e defende um sistema de valores inteiramente contraditórios aos europeus (sim, estou-me novamente a referir aos fundamentos do Islão).

 

Acho que há objectivos mais obscuros por detrás destas políticas, mas nesta dissertação quero-me focar nos factos e deixar as teorias para outra altura.

Falando de factos, o resultado desta política irresponsável tem sido um aumento do crime violento (especialmente sexual) em muitas cidades europeias; aumento de ataques terroristas; os correios recusarem-se a trabalhar em certos bairros de Malmo; haver “No Go Zones” em cidades europeias; segregação em vez de integração (mas isto é culpa de quem recebe, porque no fundo são uma cambada de xenófobos).

Mas como correlação não implica causação, é bem possível que tudo isto seja resultado do aumento do preço do gasóleo.

 

Contra-Argumentação

Do outro lado da mesa, deparei-me com uma posição fantasiosa que defende que “somos todos filhos do mundo”, que não deviam haver fronteiras e que é um dever receber todos aqueles que estão pior do que nós ou simplesmente querem entrar.

Acho-o um argumento emocional sem qualquer correlação com a realidade do mundo, nem da própria natureza humana. Há muita gente bem pior do que tu no teu país, na tua cidade, na tua rua e não tenho conhecimento de teres aberto as portas de tua casa para os receberes e assim melhorares as suas condições de vida.

Se estás mesmo convencido que devemos receber toda a gente de braços abertos e integrá-los, que melhor maneira de o fazer do que no seio de uma família “nativa”? Afinal de contas, tu tens o quarto das visitas disponível e com incentivos do Estado (se bem que a tua integridade moral não te permitiria aceitá-los), porque não receber uma família de refugiados?

Há uma aprendizagem cultural mútua, tu tornas-te efectivamente numa autoridade moral e quem acolhes melhora a sua qualidade de vida e integra-se na nossa sociedade! Toda a gente sai a ganhar. Em 2015 já os australianos embarcavam em tais programas.

Mas falar é fácil desde que sejam os outros a fazer o que apregoamos, o difícil é “walk the talk” e, mais uma vez, tomar responsabilidade enquanto indivíduos no nosso círculo de influência.

 

Acho lamentável o argumento: “Eu não tenho que fazer mais nada, eu pago os meus impostos é mesmo para resolver esses problemas”. Atirar dinheiro ao problema e esperar que a mamã e o papá resolvam. Nunca é só o dinheiro que vai resolver qualquer problema e vejo essa postura como uma espécie de auto-absolvição moral.

 

Defendes a abolição das fronteiras? Acabar com o conceito de Soberania Nacional, deixando que as decisões que nos afectam sejam tomadas por um grupo não eleito?
Muito bem, qual a alternativa que propões?

Talvez de forma filosófica, são fronteiras que me impedem de te tirar o telemóvel. São fronteiras que me impedem de me instalar na tua casa. É o conceito de fronteiras que define propriedade privada. Também queres acabar com isso? Porque não? Só assim é que seremos realmente livres e virtuosos… acabemos com as portas de casa e portões da rua.

A nossa sociedade é construída à volta do conceito de fronteiras, e embora tenha tentado, ainda não consegui imaginar um cenário benéfico de as eliminar.

 

Contra-Argumentação Pertinente

Ainda só me deparei com um argumento válido a favor da entrada de tanta gente na europa e relaciona-se com uma questão demográfica. A europa está a envelhecer e é preciso gente nova para garantir o futuro dos europeus… faz sentido.

Para resolver este problema proponho maior intervenção do Estado. Se a prioridade é rejuvenescer a população, porque não promover politicas que incentivam a natalidade?

Mais uma vez, estou cheio de ideias:

  • Licença de maternidade durante 12 meses;
  • Licença de paternidade nos 12 meses seguintes – caros machos, com a autoridade que a minha experiência me providenciou, digo-vos que dá imenso trabalho e é essencial um enorme espirito de sacrifício, mas temos a obrigação de passar tempo com os nossos filhos, é mais importante do que qualquer emprego ou carreira. Ah, e o retorno deste investimento é imensurável;
  • Benefícios fiscais para as empresas que empregam pais; e
  • Mais medidas haverão que com certeza consegues indagar.

No entanto, somos todos vítimas das nossas prioridades (que infelizmente e geralmente se baseiam no conforto imediato e a forma como somos vistos pelos outros) e enquanto elas forem a carreira, o carro novo, a casa maior, as férias… nunca criaremos o espaço mental para nos apercebermos daquilo que é realmente merecedor da nossa atenção, energia e tempo.

Agora, legitimamente me perguntas: “Mas quem é que paga isso tudo?” Ao que eu respondo: “Tem calma e continua a ler.”

 

Para além da questão demográfica, todos os outros argumentos com que me deparei variam entre sentimentalismos e ataques de carácter pessoal – estes visam pavonear a superioridade moral de quem acusa.

Chama-me o que quiseres mas preferia que confrontasses os meus argumentos com factos e raciocínio lógico – se queremos ter uma conversa construtiva não há outra maneira. Sinalizações de virtude sem agir de acordo com elas não serve, e tem um nome: hipocrisia.

Tem de haver lugar para sentimentos como compaixão e empatia a nível nacional e na preparação de legislação. É essencial senão as sociedades tornam-se obscuras, egoístas e frias (Obrigado T.). No entanto, uma sociedade que se rege principalmente por emoções está destinada à destruição, da pior maneira possível e com muito sofrimento pelo meio.

Será insensível, o General que manda 10 mil soldados para a morte certa, sabendo que irá salvar 1 milhão?

Para mim, a razão tem que vir primeiro. E como (ao contrário do que a extrema-esquerda diz) não somos todos iguais, temos que tomar as decisões que promovem o “bem maior” e reflectem a vontade da maioria.

Está a Chegar

A corrente política migracional europeia tem sido um autêntico desastre. Acho que o discurso homogéneo de “abrir as portas” que tenho ouvido vindo de Portugal se deve ao facto de as consequências destas políticas ainda não terem chegado a terras lusas. Itália fechou as portas e os barcos começaram a chegar a Espanha.

Fronteiras espanholas em Ceuta e Mellila foram atacadas (policias queimados com ácido) por migrantes – só por curiosidade, nas imagens não vejo uma única mulher nem criança. Quando começar em Espanha o que se tem passado na Alemanha, Suécia, Reino Unido e França, então começarão os barcos a chegar à praia de Altura.

 

Não é de espantar que tenha havido um ressurgimento dum sentimento nacionalista em vários países da europa. E ao contrário do que o presidente francês diz, um sentimento nacionalista é desejável e não uma traição ao patriotismo.

Este “virar à direita” tem sido especialmente perceptível nos países que mais emigrantes receberam. Será que a mudança de opinião pública terá que ver com a maioria das populações se ter tornado racista e xenófoba? Ou terão sido os constantes ataques às suas liberdades, segurança, cultura e qualidade de vida?

Até a grande chanceler já admitiu que o multiculturalismo falhou e que o ónus está nos migrantes para fazerem mais por se integrar na sociedade alemã. Eu acho que a culpa não é só de quem chega, mas de quem recebe não fazer valer as suas regras.

 

Desta discussão com amigos pedi-lhes várias vezes que me apresentassem argumentos baseados em factos para suportar a sua posição de ‘escancarar as portas’. Até são gajos inteligentes e que se mantêm informados, mas nem um argumento foi apresentado. Nem um! – ninguém mencionou a questão demográfica.

Pedi-lhes também que me enviassem uma notícia dum meio de comunicação social portuguesa que defendesse minimamente o meu ponto de vista. Nas palavras do Jorge Jesus, recebi… bola!

Das duas, uma: ou eu sou um intolerante extremista contra tudo e contra todos que estou inequivocamente do lado errado da discussão; ou em Portugal não existe plataforma para quem partilha da minha opinião. Pergunto-te, qual será?

 

“Estar em minoria, mesmo numa minoria de um, não faz de ti maluco” George Orwell

 

Pacto Geral pela Migração

Recentemente tomei conhecimento do Pacto Geral pela Migração das Nações Unidas. É um documento extenso e repleto de palavras bonitas e bons sentimentos. Tem partes que são uma autêntica salada de palavras que podem significar aquilo que bem se quer – a profética “fala dupla” de George Orwell.

Só por curiosidade, as palavras ‘direito’ e ‘direitos’ aparecem 112 vezes, enquanto ‘deveres’ e ‘responsabilidades’ não estão presentes. Noto também usarem o termo ‘migração irregular’ em vez de ‘migração ilegal’ – mais uma vez o discurso usado a afectar a forma como pensamos, porque é ilegal quando alguém entra na tua casa sem a tua autorização, não é uma irregularidade. Mas continuemos…

Este documento mais não é que uma Lista de Desejos (é apto, sendo Natal e tal) que:

  • Não apresenta um único plano concreto que possa ser implementado;
  • É silenciosa ao facto de não ter havido qualquer consultação pública para saber a vontade popular – mais uma vez, burocratas não eleitos a imporem as suas agendas sem terem que responder às vontades das populações que terão que lidar com o resultado das suas decisões;
  • Diz que os debates devem ser baseados e movidos por factos. No entanto não apresenta nenhum – quanto vai custar? quem vai pagar? quantas pessoas poderão entrar?;
  • Não menciona que a migração é unidireccional – ou se calhar estou errado e sabendo deste pacto, já fizeste as malas para ires viver para a Somália;
  • Não fala na inaptidão da infra-estrutura existente para receber milhões de pessoas – mais uma vez, quem é que vai pagar pelas estradas, electricidade, educação, alojamento, etc.;
  • Não fala no aumento do crime relacionado com migração em massa de pessoas com valores completamente contraditórios aos ocidentais – mas também não estava à espera que fossem falar de algo em que já existe bastante data que contradiz a posição defendida;
  • Censura o discurso – “OBJECTIVO 17: Eliminar todas as formas de discriminação e promover um discurso público baseado em evidência para moldar percepções de migração – Uau, moldar percepções? Chamemos-lhe o que é, Propaganda;
  • Está cheio de contradições – também no Objectivo 17, por um lado defende a liberdade de expressão dos meios de comunicação, por outro sugere “parar a alocação de financiamento público ou apoio material aos meios de comunicação que sistematicamente promovam a intolerância, a xenofobia, o racismo e outras formas de discriminação contra os migrantes” – traduzindo, “Reporta o que quiseres, mas se não for o que queremos, tás por tua conta.”

Enfim, lê e tira as tuas ilações.

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Estou bem ciente que este é um assunto extremamente sensível e de difícil resolução, mas se queremos chegar à melhor possível, temos de ter a maturidade para discutir políticas de migração sem acusar de racismo/xenofobia/islamofobia aqueles que defendem maior regulação e restrições.

 


 

 

SOBRE OS EXTREMOS

Ambos os extremos políticos valorizam o grupo acima do indivíduo. Seja ‘O Estado’ ou a ‘A Raça’, estes valores – e o seu benevolente líder – vêem primeiro. E esta não é de todo uma das premissas dos valores  do Ocidente.

 

Na escola aprendi afincadamente o quão mau o fascismo é e as suas repercussões. Fora da escola a narrativa é consistente e ser de extrema-direita é estar do lado errado da discussão. Eu concordo. Mas é apenas parte da verdade, portanto acrescento que estar num extremo é estar do lado errado da discussão.

As ideologias extremistas são igualmente perigosas embora desigualmente publicitadas e demonizadas. Nem na escola (se calhar faltei a essa aula) nem fora dela, ouvi eu falar dos resultados da implementação da ideologia comunista – isto é certamente explicado (embora nunca justificado) pela história recente do nosso país e o facto de os meus pais e avós terem vivido sob uma ditadura fascista.

Toda a gente está bem informada dos excessos da direita e de quando ela vai longe demais. Toda a gente sabe o que significa Auschwitz. Mas será que já leste o “O Arquipélago Gulag” de Aleksander Solzhenitsyn? Sabes o que são (foram) os Kulaks? Já ouviste falar dos campos de trabalho soviéticos? E dos 70 milhões de homicídios?

Do que me recordo das aulas de História, a revolução Bolchevique foi uma justa insurreição do proletariado contra a monarquia instituída. Ninguém mencionou que nos campos de concentração soviéticos, entre 1919 e 1959, morreram 10 vezes mais pessoas do que nos campos alemães durante a 2ª grande guerra.

Ninguém me falou dos milhões que morreram de fome por se terem “eliminado” os agricultores mais produtivos em nome do Colectivismo – também tentado e falhado em Portugal pós Abril de 1974 e que de certa forma levou ao ‘Verão Quente’ de 1975.

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Descubra as Diferenças

Não me recordo quem proferiu estas palavras (parafraseadas): “a motivação dos fascistas para matar é o ódio; a dos comunistas é o amor”. Como a maioria não quer estar – ou ser visto como estando – do lado do ódio, aceitamos a extrema-esquerda. No entanto, não creio que a principal motivação desta ideologia seja o amor aos pobres, mas sim o ódio aos ricos.

E é por estes motivos também que a ‘foice e martelo’ é socialmente aceite – afinal de contas representa um partido com assento na Assembleia da República (O que seria se o PNR usasse a suástica?). É um símbolo que está presente em manifestações (muitas vezes violentas) a favor de algumas posições que neste texto repúdio, enquanto a suástica causa a abominação e antipatia que lhe é devida por tudo aquilo que simboliza.

 

Comunismo

Daquilo que entendi, Engels e Marx definiram 3 passos necessários para atingir a tão desejada Utopia. 1º a revolução; 2º a normalização; e 3º, concluídos os dois primeiros passos, a utópica Utopia é alcançada.

Creio que neste momento, os dois primeiros passos estão a caminhar lado a lado, sendo que a revolução está a ser feita através do processo de normalização. Os Neomarxistas aprenderam com as anteriores, variadas e falhadas tentativas de implementar esta ideologia e tentam agora algo novo.

Em vez de uma revolução armada (se bem que o grupo terrorista Antifa pode bem ser considerado o seu braço armado) usam a comunicação social, educação e o sistema político de forma a uniformizar a forma como pensamos.

Dando-lhes tempo suficiente, surgirão as leis que obrigam ou proíbem o uso de determinadas palavras e não tardarão os campos para aqueles que ousam usar o seu espirito crítico para questionar ideias deploráveis e várias vezes provadas não funcionarem.

Um à parte, o que é que chamas a um conjunto de pessoas que usa a violência de forma a censurar opiniões discordantes? Terroristas? Fascistas?
Antifa (Anti-Fascistas) é um grupo de extrema-esquerda que recorre à violência para fazer valer a sua posição. Como é que lhes chamam? Guerreiros de Justiça Social.

Este vídeo sobre estes “guerreiros” é um excelente exemplo de como educar rindo.

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O ideal comunista visa estabelecer o Estado como autoridade absoluta, actuando como árbitro, juiz, pai, mãe e toda e qualquer figura de autoridade. Promove a abolição do valor individual em nome do grupo, onde somos todos iguais. Promove a destruição do agregado familiar porque nenhuma instituição, nem ninguém está acima do Estado.

Defende que somos todos iguais! Mas não somos e isso é bom! Se tivermos de ter todos a mesma altura, muitas cabeças terão de ser cortadas – os números de mortos pelo comunismo são prova disso.

A ideologia de extrema-esquerda justifica os seus actos execráveis com uma máscara de tolerância e virtude. Persegue a Igualdade e Justiça Social sem qualquer reconhecimento por aquilo que é um ser humano e a essência do que nos move e motiva.

Tanto o médico como o varredor de rua têm um papel a desempenhar no funcionamento da nossa sociedade, mas as suas competências não produzem o mesmo valor. E enquanto o médico, com uma preparação rudimentar, consegue desempenhar as funções do varredor, já o inverso não é verdade.

Nós devemos ser recompensados de acordo com aquilo que produzimos e que os outros valorizam – e não me venhas com merdas, tu valorizas mais a tua saúde do que uma rua sem beatas.

Qual é a tua motivação para produzires no limite das tuas competências se não és recompensado por isso? Qual é o teu incentivo para inovar se os teus ganhos são para serem redistribuídos? Se tu trabalhas 12 horas e eu 8, que direito tenho eu a 2 horas da tua vida?

 

“Durante dois séculos, a Europa tem-se preocupado com a igualdade – mas o quão muito diferentes todos somos!”

“A verdade, parece, é sempre tímida, facilmente reduzida ao silêncio pela invasão muito descarada da falsidade.”

“Todos vós, pensadores de esquerda e amantes da liberdade do Ocidente! Vocês, laboristas de esquerda! Vocês, estudantes progressistas americanos, alemães e franceses! Tanto quanto vos interessa, nada disto representa muito. Tanto quanto vos interessa, todo este meu livro é um desperdício de esforço. Podes de repente entender tudo isto algum dia – mas somente quando tu mesmo ouvires “mãos atrás das costas!” e pisares as costas do nosso arquipélago.”

Aleksander Solzhenitsyn, O Arquipélago Gulag

 

No fundo e de forma (muito) simplificada, o comunismo é uma ideologia que visa mudar a natureza humana. O fascismo está mais em linha com a nossa natureza tribalista e de intolerância para com ‘os outros’. São duas faces duma moeda com valor extraordinariamente negativo.

 

O Discurso de Ódio

Eu não ponho em causa que o ódio existe, porque existe. Já o senti e tu também. Mas o que é o discurso de ódio?

Pode ser definido como linguagem que rebaixa na base de raça, etnicidade, género, religião, idade, desabilidade, orientação sexual, etc. Mas a pergunta mais importante é: quem é que define o que é ódio? Provavelmente as pessoas que menos queremos.

O tribunal supremo dos estados unidos, unanimemente (vejam lá bem, democratas e republicanos a concordarem), sentenciou que não há excepção à primeira emenda e que “o maior orgulho da nossa jurisprudência da liberdade de expressão é que protegemos a liberdade de expressar “o pensamento que odiamos”.

O discurso que odeias não é sinónimo de discurso de ódio. E mesmo o “genuíno” discurso de ódio, será que não está sob a alçada do discurso livre?

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Ainda sobre a Esquerda e a Direita (mas mais centralizado) – Obrigado P.

Ambos protegem a Liberdade mas defendem caminhos diferentes para o fazer. Um dos motivos é que a noção que têm deste conceito diverge significativamente.

Para a direita, um ser humano é livre se tiver a liberdade de fazer as trocas económicas que pretender, deixando o mercado funcionar livremente, podendo ter tudo o que “conquistar”. Já a esquerda defende que para um ser humano ser livre precisa de ter acesso a educação, saúde e justiça.

Não querendo nenhum dos lados aceitá-lo, a verdade é que precisam um do outro – para nos manterem longe dos extremos. E enquanto políticas de direita ampliam os fossos sociais, as de esquerda reduzem-nos.

 

 


 

SOBRE O ESTADO

Estou convencido que a receita para um Estado próspero se resume a 4 pilares: 1) Direito de Propriedade; 2) Estado de Direito; 3) Liberdade de Expressão; e 4) Democracia.

Estes elementos são interdependentes e se tirares um deles, os outros ficam inevitavelmente desprotegidos.

Nenhum deles está presente na ideologia comunista. Já os fascistas são muito mais evoluídos e tolerantes e portanto reconhecem o direito de propriedade (desde que não sejas judeu ou tenhas uma tez mais escura).

 

O Seu Papel

Para mim, o principal dever do Estado é providenciar Justiça, Saúde e Educação para todos os cidadãos e não só aqueles que podem. Defendo também que quaisquer iniciativas privadas nestes domínios não devem ser financiadas com dinheiros públicos, a não ser que o Estado não tenha forma de providenciar Saúde ou Educação em determinada região – mas nunca a Justiça.

Para podermos viver tão próximos uns dos outros precisamos de governação. Daí termos desenvolvido e aceite o Contracto Social – contracto esse que nos permite escolher os líderes que queremos que nos representem e se não gostarmos da sua performance, escolhemos outros. Essa ideologia também hoje em decadência… a democracia.

Este Contracto Social é um acordo tácito em que estamos todos “inconscientemente conscientes”, da existência de consequências por não cumprir a lei. Para saberes o que acontece quando este contracto é dissolvido basta olhar para as consequências de greves policiais. Quando as pessoas acreditam que não estão sob o controlo de uma autoridade, fazem o que querem, mesmo à custa de outras pessoas.

Dai defender que o uso da força deve ser unicamente limitado ao Estado e sempre para fazer valer a lei.

 

Regulação

No que toca a regulação estatal, é apanágio da esquerda que quanto mais, melhor. Já a direita é ao contrário.

Pessoalmente defendo que a regulação de mercados deve ser a menor possível (usar o conceito de “mínima força necessária” – também meritoso para a disciplinação de crianças) e de forma a poder dar aos indivíduos as mesmas oportunidades.

Deve-se promover o empreendedorismo (e.g. benefícios fiscais) e devem-se criar as condições para reduzir o risco caso a coisa não corra bem (e.g. subsidio de desemprego). Defendo também impostos altos desde que sirvam para melhorar a nossa qualidade de vida (melhores serviços e infra-estruturas) e não para pagar as pensões milionárias de ex-directores da CGD e outros chupistas de dinheiros públicos (Cínico, eu sei).

No meu entender, (e não sendo eu definitivamente um deles… ainda) são os empreendedores – aqueles que têm a coragem de correr mais riscos – que mais inovação e emprego criam (refiro-me aos Edisons, Musks, Jobs e Gates deste mundo). São estes que significativamente melhoraram a nossa condição.

O Estado por seu lado, de temos em tempos, lá arranja um programa de obras públicas em que toda a gente tem trabalho e enche os bolsos, mas é efémero e insustentável. Creio que é criando as condições para alimentar a nossa inata ambição (e procura de sentido individual) que se consegue alcançar um melhoramento geral.

 

Subsídios e Demais

Acho que quem está a receber subsídio de desemprego, passados alguns meses, deve começar a trabalhar nos trabalhos disponíveis e não continuar à espera de arranjar emprego de acordo as suas qualificações e desejos.

Se és licenciado na mecânica de máquinas de escrever ou em eixos de carroças, ou doutorado em Estudos de Género, achas que os outros devem pagar pela tua existência enquanto procuras trabalho na tua área? Se o mercado não valoriza aquilo que queres oferecer, tens que ser tu a mudar e não os outros todos.

Não queres emprego abaixo das tuas qualificações? Eu percebo. Sei bem o que me custou cortar aquela primeira baguete em Londres e acho que em Portugal nunca o teria feito. Muito provavelmente teria ficado a mamar na teta do Estado até ser novamente o Sr. Engenheiro.

Certo? Errado? Não sei. É o que é! No fundo creio ser também o produto duma mentalidade partilhada.

 

Não gostando de comparar, vou fazê-lo. Tendo vivido e trabalhado em 3 países diferentes, considero ter alguma autoridade para falar de mentalidades sociais distintas.

Não sendo de todo igual a países africanos por exemplo, o nível de corrupção em Portugal é ainda bastante alto e o de civismo bastante baixo. Reina a cultura do chico-espertismo em que se tens a oportunidade de foder o Estado e não o fazes, és um tanso. Falta um genuíno sentimento de dever cívico que impera Down Under.

Mas como é que se muda a mentalidade colectiva? Não é certamente de um dia para o outro, mas creio que começa em ti e no exemplo que dás.

 

Relação com os Governados

Vejo que a distância entre governante e governado é cada vez maior e que as pessoas sentem-se cada vez menos representadas. Como é que podia ser de outra maneira se as ordens vêm de Bruxelas e não do António Costa?

Creio faltar mais comunicação com os nossos representantes mais directos – a conversa com o presidente da junta, a reunião com o presidente da câmara, a carta ao ministro. Mas num país onde se vê o acto de votar apenas como um direito (e um direito inconveniente se tiver tempo de praia) e não uma obrigação é difícil ser de outra maneira.

Uma boa medida para reduzir significativamente as taxas de abstenção seria a de multar quem não vota – já paguei uma dessas porque confundi as datas.

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Mas esta complacência geral é também produto da falta de crença no sistema político e um pouco da incapacidade dos nossos representantes fazerem valer a nossa vontade – tu podes ter elegido o 1º ministro, mas a vontade do Juncker tem prioridade sobre a tua.

 

Para Ponderar

Os economistas dizem que os nossos comportamentos são fruto de incentivos, portanto é preciso prestar muita atenção às motivações do Estado que te governa. Parece-me que o Estado tem grandes vantagens económicas em separar a família – o divórcio implica o dobro da receita… duas rendas, dois carros, dois advogados, o dobro dos brinquedos, etc. Tudo à custa da estabilidade emocional da população.

Basicamente o que eu quero dizer é: cuida da qualidade das tuas relações. Diz quem sabe que te faz mais feliz.

 


 

GÉNERO

Existe uma distinção na definição das palavras Género e Sexo, em que Sexo refere-se ao sexo biológico e Género refere-se a uma construção social relacionada com funções tipicamente associadas com um dos sexos. No entanto eu uso ambas de forma intercambiável, e sempre para distinguir entre o sexo feminino e o masculino.

 

Uma Pequena Definição – Pós-modernismo

Pós-modernismo pode ser caracterizado como um processo evolutivo de ideias, originado em França nas décadas de 50 e 60 e que teve como figura maior o filósofo Foucault. A premissa principal deste movimento é que tudo é originado por poder, privilégio e opressão.

 

Identidade de Género

Quando eu era pequenino havia dois géneros, o masculino e o feminino. Hoje em dia esta classificação binária já não se aplica, tendo-se tornado num espectro de escolha (eram 33 em 2016), em que cada indivíduo se pode identificar com uma miríade de categorias.

Basicamente existe quem defenda (Pós-modernistas) que género é uma construção social e que nada tem que ver com biologia… e não, não estou a brincar. O nosso género é fundamentalmente fluido e é a nossa identificação com um dos elementos do espectro que define quem somos…

Respira, respira bem fundo! Nesta minha viagem, esta descoberta foi de longe a que mais me chocou.

E porque é fluido, hoje sou uma menina de 6 anos; amanhã, e embora seja um caucasiano nascido no hemisfério norte, sou Filipino; depois de amanhã um Iraquiano-Britânico, homossexual, muçulmano, não-binário; para semana sou um cão; para o mês que vem sou branca embora tenha o mesmo tom de pele que o Michael Jackson quando nasceu; e depois logo se vê com o que é que me identificarei. Respira.

Já agora, identificando-me eu como uma mulher, posso usar os balneários femininos?

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Eu vejo isto como uma negação deliberada da realidade. Tal como George Orwell  escreve no seu livro ‘1984’ do “Se eu me vejo a flutuar e tu me vês a flutuar, então flutuo”. Mas eu não te vejo a flutuar. O que eu vejo é uma cegueira auto-infligida de forma a conseguires encontrar sentido numa existência que muito fazes para tornar mais miserável.

 

De acordo com os pós-modernistas, um ser na barriga da mãe não tem género, nem o terá até à altura em que crescer e… escolher o que quer ser. Respira.

Pais pós-modernistas, que sabendo o sexo do bebé, escolhem enveredar por uma educação “género-neutra” de forma a que a futura criança possa escolher mais tarde com qual se identifica mais? Respira. Lê estes artigos.

NYT

NBC News

The Cut

Respira

 

Uma coisa é decidires rejeitar realidades biológicas, outra é impores as tuas fantasias noutros. Especialmente naqueles que mais de ti precisam e dependem. Naqueles que olham para ti como sendo ‘Deus na Terra’.

 

“A família é o mundo de relação da criança.
Enquanto a criança é pequena, a família representa para ela o universo humano da sua vida.
Apesar da socialização progressiva da criança, sobretudo depois dos 3 anos, a família é sempre, e para toda a vida, a sua primeira referência.
Sem família, a vida da criança é uma angustiante experiência de procurar o amor e a segurança que são essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento.
É o ter ou não ter uma boa família que, de algum modo determina se o bebé virá a ser confiante ou inseguro, activo ou apático, capaz ou incapaz de amar.”

Alice Gentil Monteiro e Agostinho Moleiro, Amor de Mãe, Amor de Pai

 

O que é que achas que este tipo de comportamento vai ter na saúde mental dos teus filhos? Se aos 12 anos, o teu filho se identifica como uma menina, vais começar os tratamentos hormonais e submetê-lo a intervenções cirúrgicas para o transformar numa filha?

As crianças não têm nem capacidade intelectual nem emocional para tomar este tipo de decisões. É a tua responsabilidade protegeres os teus filhos, inclusive deles próprios. Na minha opinião isto é abuso infantil. Um verdadeiro atentado aos direitos da criança. Vou respirar.

Há meninas que são “Marias-Rapaz” e meninos há que preferem brincar com bonecas. Se o meu filho preferir vestir a roupa das irmãs e brincar com bonecas, isso não faz dele uma menina presa no corpo de um menino.

Faz dele um menino cujas preferências não estão de acordo com o estereótipo de menino. O que ele escolher fazer em relação a isso quando for ‘maior e vacinado’ é com ele. Até lá não lhe vou encher o corpo de merdas e cortar-lhe o abono.

Já agora, os estereótipos nascem da observação de comportamentos, não de preconceitos.

 

Os problemas inerentes à adolescência – hormonas ao rubro, crises de identidade, perceber o seu lugar no mundo, relações pessoais e familiares, etc. – já são severos o suficiente para fazer uma mossa grande na relação do jovem com o mundo.

Juntemos-lhe então a “decisão” de escolher o género e quaisquer outras “dimensões identificativas” para ver no que dá. Não irão com certeza causar confusão adicional num cérebro ainda em desenvolvimento…

 

Há que proteger as nossas crianças. Elas são meninas ou meninos de acordo com aquilo que têm no meio das pernas quando nascem. É uma lotaria com uma probabilidade de 50% e que nada tem que ver com a forma como sentimos ou desejamos que seja.

Mais uma vez os factos estão-se bem cagando nos teus desejos e cada vez que lutares contra a realidade, não só vais perder como impor sofrimento desnecessário nos que te rodeiam.

 

Exijo Respeito

Eu identifico-me com o Eddie Vedder quando estou no chuveiro, mas quando tiro a água dos ouvidos sou confrontado com a realidade. É injusto; não devia ser assim; coitadinho de mim; sou uma vítima da natureza das minhas cordas vocais.

Mas não interessa. Como eu me identifico desta maneira, TU tens que ignorar a realidade (i.e. dor nos ouvidos) e TU tens que me respeitar na minha identificação. Respira.

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Já agora, como é que se obriga alguém a respeitar outro? Como é que tu me consegues forçar a respeitar-te? Podes-me tiranizar, escravizar e exercer imenso poder sobre mim, mas o meu respeito só o tens merecendo-o, nunca exigindo-o.

Serei civilizado e bem-educado contigo (enquanto tu o fores), mas se defendes ideias baseadas em ignorância e fantasia; e te vitimizas embarcando em políticas de identidade, não te consigo respeitar. Não consigo respeitar ignorância deliberada. Não consigo respeitar más ideias.

 

Respira!

 

Artigo: A minha filha não é transsexual, ela é uma Maria-Rapaz

 


 

MOVIMENTO FEMINISTA

As feministas nos 1920s lutavam pelo direito de votar e poderem ser proprietárias em seu próprio nome. Quem é que no seu perfeito juízo pode criticar estas ambições? No fundo resumem-se a igualdade de direitos.

A 2ª vaga de feministas nos 60s e 70s lutava principalmente pelo direito a um lugar no local de trabalho. Quem é que no seu perfeito juízo pode criticar esta ambição? No fundo resume-se a igualdade de oportunidade.

Para isto muito contribuiu a pílula. Pela primeira vez na história da humanidade, a mulher passou a poder controlar o seu ciclo reprodutivo e a poder fazer escolhas de vida com um maior grau de segurança.

Já na actual 3ª vaga não consigo identificar uma única vantagem nem para as mulheres nem para os homens. A premissa principal deste movimento assenta na teoria de que existe (e sempre existiu) uma estrutura patriarcal opressora das mulheres. Que os homens são detentores de todo o poder, que serve deliberadamente para impedir o florescimento das mulheres. Mas a realidade é outra.

Como é que foi possível alcançarmos tanto e chegarmos tao longe com metade da população a oprimir a outra metade durante tanto tempo?

Com o intuito de resolver estas “injustiças”, o movimento feminista promove o discurso da masculinidade tóxica, da igualdade de resultado e da vitimização às mãos do opressor.

 

“Feministas confundem o desejo masculino de realização e competência com um desejo patriarcal de exercer um poder tirano” Jordan Peterson

 

O Feminismo usa uma simplificação unidimensional e desonesta de forma a ligar o resultado com um sistema de opressão – i.e. se não existe paridade entre homens e mulheres numa abundância de disciplinas, só pode ser a culpa de um sistema patriarcal evidente e sexismo enraizado.

Curiosamente, esta reivindicação de igualdade de resultado parece ser bastante selectiva. Nunca ouvi uma feminista reivindicar igualdade: para trabalhos em plataformas de petróleo; nas indústrias da construção; agricultura; extracção de minérios – enfim, trabalhos fora de portas, de maior risco e fisicamente mais exigentes.

Já ouviste certamente questões como: “Porque é que metade dos deputados não são deputadas?”; “Porque é que metade das pessoas nas salas de reuniões não são mulheres?”
Mas onde é que estão as marchas a exigir que 50% das pessoas que recolhem o nosso lixo sejam mulheres?

 

Historicamente Falando

Ao longo da história humana, na maioria das sociedades, as mulheres estiveram de certa forma à mercê da vontade dos homens. No entanto, a maior opressão foi sem dúvida aquela que ambos sofreram às mãos da Natureza.

Os atributos de um género em relação ao outro permitiram uma complementação de competências que não só nos possibilitaram sobreviver, como também prosperar até ao dia de hoje… aqui abrigados, de barriga cheia, quentinhos, com acesso à internet a ler um texto interessantíssimo e com as nossas preocupações de 1º mundo.

Tudo isto foi alcançado – no meio de um ambiente hostil incumbido de nos destruir – e baseado nos princípios de cooperação e divisão de trabalho de acordo com aptidões/competências demonstradas. A realidade histórica mostra que o homem caçava e lutava para alimentar e proteger a sua família enquanto a mulher cuidava dos homens e mulheres do futuro.

 

É um facto que as sociedades ocidentais têm estruturas patriarcais (isto é, historicamente criadas e geridas por homens). Mas isto não significa que as suas fundações sejam poder, mas sim competência.
Exemplo: se contratares um pedreiro, é 99.9% provável que seja um homem. No entanto isto não é sinónimo de haver uma cabala dos pedreiros tiranos que impede as mulheres de fazer massa e assentar tijolo.

Já agora, a grande maioria dos profissionais de enfermagem são mulheres. Será que isto faz da enfermagem uma estrutura matriarcal?

 

“Manipulação com ignorância histórica e manha filosófica, para nos fazer sentir culpados por aquilo que os nossos antepassados possam ou não ter feito. Assim permitimos que a nossa culpa e vergonha sejam utilizados como ferramentas para manipular-nos a aceitar um futuro que nós não queremos” Jordan Peterson

 

Noto também que tudo aquilo que as mulheres alcançaram nas sociedades ocidentais não foi só devido a elas. Foi principalmente devido a uma civilização que cultivou virtude nos homens – virtude essa que está hoje a ser atacada. Foram principalmente homens bons que fizeram o mundo melhor para as mulheres e não apenas as mulheres.

Hoje em dia, fora do Ocidente muitas mulheres não têm capacidade de se proteger a elas mesmas, mas o âmbito do movimento feminista não inclui as mulheres que realmente têm razões para se queixar. Parece resumir-se não a uma reivindicação de direitos universais mas sim a uma exigência de tratamento especial para um grupo específico.

 

Somos Diferentes

Lamento desiludir-te, mas homens e mulheres não são iguais. As diferenças vão muito para além da anatomia e foram acentuadas ao longo de milhões de anos de evolução. Para além  das diferenças fisionómicas, dos cromossomas, das hormonas e dos interesses demonstrados… até os cérebros são diferentes.

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O masculino não é nocivo e é tao necessário como o feminino. Esta guerra dos sexos, lançada em nome da igualdade (de resultado) não promove o bem-estar de ninguém. Homens e mulheres nunca foram iguais e não acredito (e espero) que alguma vez sejam.

Somos diferentes, interdependentes e complementares. E isso não é só bom, é essencial à vida e ao seu melhoramento, que seria de todo impossível um sem o outro.

 

Diferenças de Personalidade

De forma geral existem diferenças de personalidade entre homens e mulheres. Estudos de personalidade comprovam que, de acordo com os “5 Grandes Traços de Personalidade” as diferenças entre mulheres e homens são grandes:

  • Neuroticismo – a tendência de experimentar emoções negativas e processos relacionados em resposta à ameaça e punição percebidas; estes incluem ansiedade, depressão, raiva, autoconsciência e viabilidade emocional. (…) Consistente com os achados anteriores, as mulheres pontuaram mais do que os homens em Neuroticismo e em ambos os aspectos, Retirada e Volatilidade;
  • Agradabilidade – compreende características relacionadas ao altruísmo, como empatia e gentileza. Envolve a tendência para a cooperação, a manutenção da harmonia social e a consideração das preocupações dos outros. (…) Replicando as descobertas anteriores, houve uma diferença significativa de género no nível de agradabilidade, de modo que as mulheres tendem a pontuar mais do que os homens, e esse padrão foi o mesmo para os aspectos Compaixão e Cortesia;
  • Conscienciosidade – descreve traços relacionados à autodisciplina, organização e controle de impulsos, e parece reflectir a capacidade de exercer autocontrolo para seguir regras ou manter a busca de objectivos. As mulheres pontuam um pouco mais alto que os homens em algumas facetas da Conscienciosidade, como a ordem, a obediência e a autodisciplina. (…) As mulheres pontuam mais que os homens em termos de Ordem (…) enquanto os homens pontuaram mais alto em termos de Diligência;
  • Extroversão reflecte sociabilidade, assertividade e emocionalidade positiva, todas ligadas à sensibilidade às recompensas. Considerando que as diferenças entre os sexos são pequenas no nível geral de domínio de Extroversão (com mulheres tipicamente pontuando mais alto), o tamanho de efeito pequeno pode ser devido à existência de diferenças de género em diferentes direcções no nível da faceta. As mulheres tendem a pontuar mais do que os homens em Calor, ‘Gregariez’ e Emoções Positivas, enquanto os homens obtêm notas mais altas que as mulheres em Assertividade e Procura de Excitação;
  • Abertura à experiência – reflecte imaginação, criatividade, curiosidade intelectual e apreciação de experiências estéticas. Em termos gerais, Abertura à Experiência está relacionado à habilidade e interesse em atender e processar estímulos complexos. Nenhuma diferença significativa entre os sexos é tipicamente encontrada ao nível do domínio, provavelmente devido ao conteúdo divergente da característica. Por exemplo, descobriu-se que as mulheres pontuam mais do que os homens nas facetas Estética e Sentimentos, enquanto os homens tendem a pontuar mais alto na faceta Ideias.

 

“Examinando a personalidade no nível dos 10 aspectos dos Cinco Grandes, demonstramos que as diferenças de género nos traços de personalidade são ainda mais difundidas do que as tipicamente relatadas. Em cada uma das 10 características avaliadas, diferenças significativas entre os sexos eram evidentes.”

“As abordagens biológicas e evolutivas postulam que as diferenças de género são devidas às preocupações dimorficamente evoluídas de homens e mulheres com respeito a questões reprodutivas, investimento parental na prole (Trivers, 1972; Buss, 2008). De acordo com essas teorias, as mulheres deveriam estar mais preocupadas em criar filhos com sucesso e, portanto, deveriam ser mais cautelosas, agradáveis, carinhosas e emocionalmente envolvidas. Os homens, por outro lado, devem estar mais preocupados em obter oportunidades de acasalamento viáveis ​​e, portanto, devem demonstrar mais assertividade, assumir riscos e agredir. Outras teorias sugerem que as normas de género são moldadas por influências socioculturais, de modo que mulheres e homens devem desempenhar diferentes papéis na sociedade e, portanto, socializados para se comportarem de maneira diferente um do outro. É claro que pode ser que tanto forças evolutivas quanto sociais tenham contribuído para as diferenças de género. Curiosamente, estudos recentes mostraram que diferenças de género na personalidade tendem a ser maiores em culturas ocidentais mais desenvolvidas (…)”

Gender Differences in Personality across the Ten Aspects of the Big Five

 

Cultura Vs. Biologia

As grandes diferenças entre homens e mulheres podem ser caracterizadas essencialmente em duas categorias: culturais e biológicas. Significa isto que quando minimizamos as diferenças culturais que existem entre homens e mulheres (e.g. Suécia Vs. Arábia Saudita), maximizamos as diferenças biológicas. No limite, quando se eliminam os factores sociais e culturais fica apenas a biologia.

Como exemplo, nos países escandinavos (discutivelmente, os países onde a igualdade de oportunidade está mais avançada), a grande maioria dos profissionais de engenharia são homens e dos profissionais de enfermagem são mulheres.

Factos não mentem: Mulheres e Homens na Suécia 2018.

Ou seja, homens e mulheres sendo livres de escolher, as escolhas que fazem reflectem os estereótipos de papéis tradicionais de cada sexo. No entanto estes estereótipos são hoje rotulados de misóginos – porque o que o movimento feminista procura é igualdade de resultado.

Porque é que há-de ser sexista aceitar que a nossa biologia afecta os nossos comportamentos?

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De forma simplificada, os homens têm mais interesse em coisas e as mulheres em pessoas. Este documento do Simon Baron-Cohen (irmão do Borat) mostra isso mesmo. Para mim isto constitui evidência que somos diferentes a nível dos nossos interesses; que estas diferenças estão embutidas na nossa biologia; e são um produto de evolução, não de construções sociais.

Estas diferenças de escolhas entre homens e mulheres expressam a meu ver, que estes papéis tradicionais contribuem para uma sociedade saudável. Se respeitarmos a nossa biologia e não lutarmos contra ela, seremos certamente mais saudáveis.

 

E já agora, como é que se consegue assegurar igualdade de resultado sem tirania? Sem obrigar o indivíduo a fazer algo que não quer?
“Queres ser enfermeira? Lamento mas a quota de mulheres nesse campo já está preenchido. No entanto ainda não atingimos o número de canalizadoras que precisamos para termos os obrigatórios 50%. Vamos lá aprender como é que se usa a chave inglesa.”

Liberdade e Igualdade (de resultado) não são de todos compatíveis. Ou tens uma ou outra e eu sei bem qual a que prefiro.

 

Privilégio Masculino

Cada vez mais cedo, somos convencidos do privilégio em nascer com uma pilinha e que tudo que alcançamos é atribuível a esse mesmo privilégio. Caro rapaz, lê este texto com mais de 160 exemplos do teu privilégio – até me ria mais se não estivessem a falar a sério.

É exigido um sentimento de culpa unicamente pelo facto de sermos homens e os nossos sucessos são menos valiosos por isso mesmo.

Esta é uma narrativa perigosa porque está a debilitar os meninos de hoje, tornando-os nos homens enfraquecidos de amanhã. Mas vejamos alguns factos para dissecar este “privilégio masculino”:

Onde é que está o privilégio masculino aqui? Porque é que não se fala mais destes problemas? No fundo acho que são noções antiquadas de masculinidade que impedem os homens de pedir ajuda e de esta ser oferecida.

Movimentos como o MRM que promovem esta conversa são censurados. Na Austrália, o filme “The Red Pill” (após grande pressão feminista) foi retirado das salas de cinema e criticado pela comunicação social (mesmo sem terem visto o filme), como sendo um filme que promove ódio contra as mulheres.

Cassie Jaye (uma auto proclamada feminista), autora do documentário acima mencionado fala sobre um destes movimentos.

 

Partindo do pressuposto que toda a masculinidade é toxica e indesejável, e que a virtude está no que é feminino, o caminho a tomar torna-se claro… “educar” os homens, efeminizando-os. Até há quem defenda a colocação de todos os homens em campos de “reabilitação” – mas isto vem de extremistas dentro de um movimento extremista.

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Mas o movimento feminista não é de todo negativo e tem sido de grande valor para a nossa sociedade com tudo aquilo que nos tem ensinado nomeadamente em relação ao quão sexista o ar condicionado é. Respira.

 

Preocupa-me este ataque à masculinidade, retratada como toxica, especialmente por ser assim generalizado sem qualquer apreço pelo indivíduo – mais uma vez as políticas de identidade que criam narrativas de opressores vs. vítimas. Não há nada de errado com a masculinidade, mas sim com certos actos de certos indivíduos, seja qual for o seu sexo.

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Acho que estamos a ser alimentados uma narrativa em que ser um “macho alfa” é de todo negativo e que ser um “beta” é melhor porque estamos mais em contacto com o ponto de vista feminino. Não é de espantar que os níveis médios de testosterona tenham vindo a diminuir ao longo dos anos.

Mas já agora gostava de fazer uma pergunta, especialmente a ti, minha querida leitora heterossexual: Quem é que tu e as tuas amigas preferem ter ao lado? Um homem assertivo, competente, com personalidade forte, que sabe e luta pelo que quer, que cuida de ti como tu cuidas dele e que te desafia? Ou um ‘coninhas de sabão’ que bebe leite de soja e diz “sim querida” a tudo?

Queres um homem que te desafia ou um menino para tiranizar? Responde-te honestamente…

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Relação com o Islão

Como é que uma ideologia que vê e trata as mulheres como propriedade tem tanta aceitação em sociedades ocidentais? Porque é que o actual movimento feminista é tao tolerante para com esta ideologia misógina?

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O meu privilégio de homem branco heterosexual cegou-me, pois pensava que casamentos forçados (incluindo de crianças com homens), mortes de honra, ataques com ácido e pais que matam filhas (só porque o véu caiu ou não dá jeito para comer) e mutilação genital feminina fossem coisas que vão contra o bem-estar das mulheres.

 

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O movimento feminista chega ao ponto de vilificar quem contra estas atrocidades luta (Ayaan Hirsi Ali – uma muçulmana que se expõe e sacrifica a sua liberdade na luta de promover valores mais tolerantes) e glorificar quem defende a ideologia que as permite (Linda Sarsour – que defende a burka como um símbolo de emancipação feminina).

Mais uma vez, o psicólogo clínico Jordan Peterson tem algo interessante e de todo plausível a dizer sobre este assunto.

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Diferença salarial entre homens e mulheres

Um dos cavalos de batalha do movimento feminista tem sido o facto de haver diferença entre o salário médio de um homem e o de uma mulher. Nos Estados Unidos por exemplo, em média, uma mulher ganha $0.77 por cada $1 que um homem ganha.

Dada esta informação só podemos concluir que existe discriminação sexual no local de trabalho, certo? Errado!

Antes de mais, para o cálculo deste rácio pegaram nos salários de todos os homens e todas as mulheres que trabalham a tempo inteiro e calcularam a média. Ponto.

Esta análise unidimensional não considera um número de factores que têm influência nesta discrepância salarial. A única relevância dada é à desigualdade de resultado. Mais uma vez, reivindica-se o mesmo resultado sem consideração pelas escolhas individuais que o criam.

 

Tal como em cima argumentado e demonstrado, quando as pessoas têm as mesmas oportunidades, homens e mulheres fazem escolhas significativamente diferentes. Logo e inevitavelmente o resultado será diferente.

É o mercado (controlado pelas mulheres, visto que elas fazem a maioria das escolhas de gastos do consumidor) que define o que é que é mais valorizado e o que não é.

O mercado valoriza ocupações relacionadas com Ciência (não tanto as sociais), Tecnologia, Gestão e Engenharia, em detrimento de Enfermagem, Recursos Humanos, Assistência Social, Educação Infantil e Estudos de Género (que surpresa aqui). Em termos gerais, entre homens e mulheres, adivinha lá quem prefere quais?

Mesmo dentro da mesma ocupação existem discrepâncias. Neurocirurgia e engenharia civil (maioria homens) são disciplinas mais bem pagas do que pediatria e engenharia do território (maioria mulheres) respectivamente.

 

E exactamente na mesma profissão é normal existirem diferenças salariais. As pessoas devem ser remuneradas de acordo com aquilo que produzem e o valor que o mercado dá a esse produto. Se o teu trabalho dá um lucro maior à tua empresa do que o do teu colega, achas que deves receber o mesmo que ele?

Será que o Nani deve receber exactamente o mesmo que o Cristiano Ronaldo? Mas sendo a realidade que recebe bem menos, só há uma razão possível… Racismo!

 

Para além da escolha ocupacional, outros factores há que contribuem para a diferença salarial. É mais provável serem homens a aceitar trabalhos de alto risco, fora de portas e fisicamente mais exigentes. Está também demonstrado que os homens têm maior disponibilidade para viajar e trabalham mais horas.

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Contabilizando todos estes factores (ou seja, comparando alhos com alhos) a diferença salarial é reduzida para 4%. E a que é que se pode atribuir esta diferença? Discutivelmente, este desnível deve-se a diferenças de personalidade entre os géneros – os homens são muito mais propensos a negociar o seu salário do que as mulheres.

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Enfim, mesmo existindo leis que impedem discriminação salarial com base no género e não havendo nenhum economista que valide esta reivindicação feminista, este é um argumento usado nas escolas (mais doutrinação em detrimento de educação) e até na Casa Branca.

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Já agora, será que todos os CEOs são assim tao estúpidos que não se aproveitam de uma oportunidade de ter um lucro imediato de 23% só contratando mulheres? Devem ser todos homens brancos que preferem oprimir as mulheres em vez de fazer dinheiro.

 

Para ver: este e este.

 

Argumentos Feministas

Aposto que não consegues manter uma cara séria durante os quase 8 minutos deste vídeo.

 

Repercussões do Feminismo

Socialmente evoluímos também de forma a poder dar às mulheres a opção de escolher entre ‘lutar’ ou ‘cuidar’, a escolha entre carreira ou família. Acho no entanto que a narrativa feminista que promete que podem ter tudo (e sozinhas) é desonesta e contraproducente.

Não estou a dizer que tem de ser uma ou outra, mas para poder ser bem-sucedida em ambas as iniciativas não creio ser de todo possível, especialmente sem um parceiro. Com diligência e espirito de sacrifício será numa só mas à custa da outra. Porque tanto a família como a carreira requerem um enorme investimento de recursos finitos como tempo e energia.

A Catarina (essa enorme mulher) exprime muito bem a forma como a sociedade define ‘sucesso’ e faz uma análise dos conceitos de ‘providenciar’ e ‘cuidar’. Are You a Successful Woman?

“A forma como a sociedade “evoluiu” faz-nos pensar que ser um cuidador é muito menos importante do que o ganha-pão. Quão assustador é isso? Cuidares dos teus filhos é menos importante do que ganhar dinheiro e ter uma carreira?” Catarina Moleiro

 

É mais fácil para um homem apostar na carreira do que uma mulher. O homem não pode gestar, dar à luz, nem dar de mamar (leite materno – o alimento mais nutritivo do mundo). Pode-se concentrar unicamente no mundo estupidamente vicioso e competitivo de uma carreira e pode ser pai aos 60 anos.

Já as mulheres têm o peso de ter de fazer escolhas familiares mais cedo pois tentar engravidar pela 1ª vez depois dos 35 não é fácil – em termos evolutivos, se calhar também por isso é que as meninas amadurecem mais cedo que os meninos.

De forma geral os homens são mais competitivos enquanto as mulheres são mais empáticas. Estas disposições de personalidade explicam também porque é que a grande maioria das pessoas que investe forte na carreira é do sexo masculino.

Não porque existe uma conspiração masculina para manter as mulheres de fora, mas sim uma necessidade biológica maior de subir na hierarquia.

Olhando para a Natureza, parece-me a mim (embora hajam com certeza espécies em que isto não se aplica) que no que toca à escolha de parceiro é principalmente a fêmea que escolhe o parceiro (aplica-se certamente aos humanos).

Esta escolha é baseada na hierarquia que esse mesmo macho ocupa entre os seus pares – quanto mais alto na hierarquia mais chance de sobreviver têm as crias dessa relação. Ou seja, o masculino é visto como providenciador e protector. Este raciocínio justifica também em termos biológicos a maior competitividade evidenciada pelos homens.

Por isso é que não há assim tantas CEOs. De forma geral, as mulheres extremamente competitivas e profissionalmente bem-sucedidas, quando o ‘relógio biológico’ toca (já com mais de uma década de experiência profissional), escolhem deixar a carreira e ficar em casa a cuidar da família em vez de lutarem para trepar a escada corporativa.

Aquelas que escolhem a carreira, obrigatoriamente terceirizam o cuidar dos filhos. Não as julgo, mas pessoalmente acho mais nobre e benéfico para todos quando escolhem cuidar.

E antes que comecem a levantar sobrancelhas e à procura de como é que se escreve misógino (é assim), que fique bem claro que defendo o direito de toda a gente fazer as suas escolhas no que toca às suas prioridades profissionais, familiares e demais – todas elas têm o poder de contribuir para o melhoramento da condição humana.

Só acho que a prioridade maior deve ser a da família e que as crianças até aos 3 anos devem ficar com um dos pais ou família imediata, preferencialmente avós dedicados e com disponibilidade.

 

“Até aos 3,5/4 anos estar em família, será sempre a melhor opção.”

“ (…) preferência pela solução familiar, até por volta dos 3 anos de idade, tem a ver com a natureza da própria criança – que necessita e procura na acompanhante uma verdadeira alternativa à mãe.” 

“A ligação da criança aos pais e familiares próximos é fundamental nos primeiros 3 anos de vida. A partir dessa idade e a pouco e pouco torna-se mais sociável e pelos 4 anos já partilha jogos e brinquedos com outras crianças. Começa a ter amigos e amigas.”

Dr. Agostinho Moleiro, Meninas ao Colo, Pediatra no Bolso

 

Toda e qualquer decisão tem um custo. Isso é hoje evidente na taxa de natalidade abaixo da taxa de mortalidade. Com um significante número de mulheres a optar pela carreira, ter filhos fica para mais tarde e – apesar dos avanços biotecnológicos – às vezes tarde demais. A crescente procura de clinicas de fertilidade são prova disso.

E é por isto também que creio que a actual 3ª onda feminista – que convence as mulheres que não existe qualquer diferença entre homens e mulheres; que elas são independentes; e podem ter tudo (carreira e família) sem a ajuda de um parceiro – é de certa forma responsável pelo já referido envelhecimento de populações europeias.

Isto é uma promoção dos comportamentos que fazem as mulheres passarem os seus anos mais férteis a perseguir uma carreira e (mais vezes que não) à custa da própria saúde no processo.

 

Outra consequência é também a criação de movimentos como o #MeToo, que procura providenciar uma plataforma para as mulheres vítimas de assédio e ataque sexual. Infelizmente “evoluiu” para uma ferramenta que permite, e tem destruído, a vida de qualquer homem que seja acusado, justamente ou não.

Onde é que está a presunção de inocência até ser provado culpado?

As repercussões deste tipo de comportamento são no mínimo repreensíveis: desvaloriza o sofrimento e legitimidade da verdadeira vítima; destrói a vida de pessoas erradamente acusadas; avanços verbais e até elogios são considerados assédio; vai trazer uma maior relutância aos empregadores escolherem mulheres.

 

O movimento feminista inibe também o leque de escolhas da mulher. Afirma como seu grande objectivo capacitar as mulheres de forma a poderem fazer as escolhas que querem.

No entanto, se elas escolhem andar à volta de carros de fórmula 1 ou de moto GP, ou se escolhem ser strippers, modelos, prostitutas ou qualquer outra ocupação em que a figura e o corpo são essenciais, então essas mulheres são acusadas de misoginia inconsciente por escolherem uma ocupação que “objectiva” as mulheres. Basicamente são livres de escolher mas só se for de encontro à narrativa feminista.

 

Guerra à feminidade – dá que pensar.

 

? Pontos de interrogação?

Um género é melhor que o outro?
Claro que não. Generalizando, as mulheres são melhores do que  os homens numa panóplia de coisas e vice-versa.

 

É um dos sexos privilegiado em relação ao outro?
Depende de muitas condicionantes. Geografia é uma – na Arábia Saudita, Iémen, Qatar, EAU, Irão e outros países onde religião, estado e lei são indissociáveis, impera sem dúvida um privilégio masculino (desde que não seja homossexual), visto que as mulheres são tratadas como cidadãs de 3ª e consideradas propriedade dos pais e mais tarde dos maridos (que não chegam a escolher).

Agora no “Oeste”, quaisquer privilégios que possa haver de um género em relação ao outro são de origem essencialmente biológica, não cultural. Não vejo evidência alguma para a existência de um sistema opressivo estabelecido que promove o bem-estar do homem à custa da mulher.

Nós vivemos na melhor sociedade (sociedades Ocidentais) que alguma vez existiu. Pode ser melhor?
Claro que sim, e esse melhoramento só depende das decisões que tomarmos, mas acho que esta narrativa de opressor (homem) vs. oprimido (mulher) é desonesta e contraproducente.

 

Mas existe Opressão e Privilégio?
Sem dúvida, mas só a nível do indivíduo. Cada um de nós é oprimido e privilegiado de uma ou outra maneira. Tu és um indivíduo em que inteligência; altura; qualificações; saúde; beleza; emprego; riqueza; competências sociais; qualidade de relações; traços de personalidade, etc. podem ser motivo de opressão ou privilégio.

 

Mas a minha grande questão neste tópico é:
Quais são as oportunidades que o meu filho vai ter que serão negadas às minhas filhas?

Se continuarmos a alimentar esta narrativa ‘género-separatista’, procurando igualdade de resultado em vez da de oportunidade, é sem dúvida o meu filho que mais vai penar.

 


 

AMBIENTE

97% da comunidade científica concorda com a hipótese de que o ser humano teve e continua a ter uma grande influência nas alterações climáticas do nosso planeta. Não sendo unânime, anda lá muito perto e há que ter a curiosidade de perscrutar a argumentação da minoria.

No entanto, e até prova em contrário, recuso-me a aceitar que a comunidade científica esteja tão corrupta que tenha posto de lado o seu método e rigor em nome de proveitos menos nobres – como submeter-se a interesses económicos.

 

Podes e deves protestar tudo aquilo que mal se faz em relação ao meio ambiente, mas no fundo, o teu impacto vai-se reduzir às tuas acções no dia-a-dia.

Podes e deves:

  • Reduzir o consumo seriamente questionando aquilo que consideras necessário;
  • Optar por energia e transporte verdes;
  • Escolher roupa, embalagens, produtos e materiais sustentáveis;
  • Comer alimentos biológicos, locais e sazonais;
  • Andar mais a pé, de bicicleta e transportes públicos;
  • Eliminar;
  • Reduzir;
  • Reutilizar; e
  • Reciclar.

Actualmente, estas são medidas com um custo maior do que as alternativas do status quo, mas não vejo outras maneiras senão a de escolheres com a carteira e fazeres-te ouvir junto dos teus representantes.

Como exemplo, no estado de Queensland, foi um movimento popular que fez com que entrasse em vigor legislação que bane os sacos plásticos dos supermercados.

 

O que é que temos a perder?

Aqueles há que se recusam a aceitar que as nossas escolhas e estilo de vida tenham qualquer influência em algo tão titânico como o clima de um planeta. E é possível que 3% dos cientistas climáticos tenham razão, mas isso não é motivo para perpetuarmos comportamentos que sabemos serem prejudiciais.

Será que não vale a pena reduzir e eventualmente eliminar aqueles hábitos que sabemos serem nocivos ao ambiente que nos rodeia? Afinal de contas, o que é que temos a perder ao investir em fontes de energia renováveis? Qual o dano causado por fazermos escolhas mais saudáveis?

Sendo este planeta a única casa que alguma vez conhecemos, será que vale a pena correr o risco?

 


 

FINANCIAMENTO

Propus uma série de medidas que requerem financiamento, e também porque considero desejável ter superavit em vez de défice, aqui vai.

  • Taxar instituições religiosas

Sendo a Igreja Católica dos maiores latifundiários e das organizações mais ricas do mundo, só o IMI que não pagam daria seguramente para resolver muitos problemas. Tu e a tua empresa pagam impostos (espero eu). Qual é o racional para uma organização hipócrita e sedenta de poder não pagar nada?

Se realmente vivemos numa sociedade secular, em que a separação do Estado e da Igreja está efectivado, por que razão é que instituições religiosas estão isentas de responsabilidades fiscais?

Se calhar são bastante ricos é mesmo por não pagarem impostos!

  • Legalização de vícios

A legalização da prostituição e da produção, comercialização e consumo de drogas permitirá ao Estado regular estas actividades.

As profissionais do sexo e os seus clientes estariam mais seguros e protegidos e o Estado receberia a sua devida contribuição.

Para além das enormes receitas das drogas (que neste momento estão a ser absorvidas por um mercado paralelo e sem escrúpulos), a regulação do Estado permitirá aumentar a educação dos possíveis consumidores, que assim podem tomar decisões mais informadas.

Só vejo vantagens:

  • Receitas:
    • taxação sobre a produção, comércio e consumo;
    • aumento do emprego (menos para a polícia) – a regulação obrigatoriamente criará inúmeros postos de trabalho;
    • diminuição do crime relacionado com o tráfico de drogas – menos crime, menos presos, mais contribuintes, menos custos com policiamento;
  • Menos overdoses e mortes relacionadas com o consumo;
  • Diminuição dos casos de HIV;
  • Controlo de Qualidade;
  • Melhoria do tratamento de dependentes;
  • Aumento das pessoas à procura de tratamento.

Exactamente em Portugal, já temos data suficiente que indica as vantagens que uma medida destas poderia ter – refiro-me à descriminalização do consumo de drogas em 2001.

Tendo tomado a decisão de tratar o consumo de drogas como uma questão de saúde e não criminosa, conseguimos  já reduzir o número de consumidores; mortes por overdose e casos de HIV. E o que é que aumentou? O número de pessoas a procurar tratamento.

 

A guerra às drogas ilícitas tem sido um falhanço enorme. Não só elas não desapareceram, como a sua disponibilidade tem vindo a aumentar. Não é preciso muito mais do que olhar para o exemplo da lei seca dos anos 30 nos EUA.

Creio fazer parte da condição humana desejar o fruto proibido. O que é que achas que a tua filha vai fazer (ou desejar fazer) quando lhe dizes: “Podes abrir as gavetas todas, menos aquela!”

Não quero que os meus filhos experimentem heroína, mas se assim o escolherem prefiro que a obtenham numa farmácia – depois de terem sido bem informados sobre as mais que prováveis consequências dessa escolha – do que num qualquer beco escuro. Prefiro que as consumam em segurança e higiene.

 

Tendo sido condicionados e expostos a todos os malefícios das drogas ilegais, esta não é uma ideia de fácil absorção. No entanto, e mais uma vez, as palavras que usamos afectam a maneira como pensamos. Se tiver o selo de um médico chamamos-lhe medicamento, se não for legal chamamos-lhe droga.

A verdade é que estamos formatados para associar medicamento com bom e droga com mau.

Proponho portanto que legalizemos a produção e comércio de medicamentos ilegais.

  • Impostos sobre produtos que ingerimos

Está demonstrado que os casos de diabetes e de obesidade têm vindo a aumentar ao longo dos anos – especialmente desde os anos 50, quando a gordura foi vilificada, o açúcar valorizado e assim introduzido em grande escala nos alimentos.

Basicamente estamos cada vez mais gordos e menos saudáveis.

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Proponho portanto a taxação (estupidamente elevada – 100%-200%) de todos os alimentos com açúcares refinados e comidas processadas. Em paralelo, o incentivo (impostos baixos) para a produção e consumo de comidas naturais (de modo geral, aquelas que não têm uma lista de ingredientes). E até mesmo 0% de taxa (ou mesmo negativa) sobre produtos biológicos.

Não será certamente uma medida popular com um sem número de produtores (fabricantes?!?), nem com muitos consumidores, mas se queres que o Estado Social financie os teus futuros tratamentos (causados pelos teus comportamentos irresponsáveis de hoje), tens de ser tu a puxar da carteira.

Da mesma maneira aplicaria uma elevada taxa fiscal ao tabaco e álcool.

 

Sei bem que esta medida teria de ser afinada e um compromisso negociado em relação a produtos que fazem parte da nossa cultura há já séculos (e.g. vinhos e pastelaria tradicional) – mas sempre com um aumento significativo dos impostos sobre estes produtos.

Consequências?

  • Inicialmente, muito barulho de todas as partes interessadas;
  • Uma economia a mover-se numa direcção mais saudável, limpa e sustentável; e
  • No espaço de uma geração ter médicos com mais tempo para estudar e investigar – é uma ideia que me apraz.

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Perdoe-me a classe médica se o que a seguir escrevo é de alguma maneira imprecisa, mas creio que falta uma abordagem holística no que toca ao tratamento de doenças. Parece-me a mim que se medicam as pessoas (em demasia) para eliminar os sintomas, não se dando a devida importância à nutrição e estilo de vida do paciente.

A indústria farmacêutica (que tem um poder enorme e muito faz para seduzir médicos), embora não nos queira matar, não tem interesse algum em que sejamos saudáveis. Apenas quer manter-nos o mais doentes possível durante o maior período de tempo possível.

Enfim, estou 100% convencido que a nossa alimentação e estilo de vida são os grandes responsáveis pela nossa saúde (ou falta dela) e não os genes como se costuma apregoar. À boleia da Catarina tenho andado a recolher bastante informação sobre este assunto, sendo algo que estou a desenvolver bastante curiosidade e que continuarei a investigar.

 

Para ver e ler:

That Sugar Film

https://www.cdc.gov/diabetes/statistics/slides/long_term_trends.pdf

http://www.actiononsugar.org/sugar-and-health/sugar-and-obesity/

 


 

CONCLUSÃO – que isto já vai longo

Nunca na história da humanidade tivemos uma sociedade tão boa como a actual Ocidental – como validação desta afirmação responde-te: qual a actual sociedade “não-ocidental” em que gostarias de viver? Qual a sociedade, de todas as que já existiram, gostarias de ter vivido?

Claro que pode ser bem melhor e é nosso dever conversar e tomar as decisões que nos fazem caminhar nesse sentido. O progresso científico permitiu-nos erradicar doenças, aumentar a esperança média de vida, reduzir imensamente a pobreza e consideravelmente aumentar o nosso nível de conforto.

Mas é aqui, neste estágio que nos encontramos – um de conforto nunca antes experienciado – que entra uma outra necessidade humana: movidos por um aborrecimento providenciado por este bem-estar, criamos problemas que não existem. O resultado será inevitavelmente pôr em risco tudo aquilo que se alcançou.

A história está repleta de civilizações que se autodestruíram depois de atingirem um pináculo de evolução e um nível de conforto elevado.

 

Enquanto acho saudável pôr em causa tudo a quilo que temos como certo, creio que a sua rejeição sem uma ponderação considerada é perigosa e irresponsável.

Se tem funcionado até aqui é bom que as tuas razões para a sua rejeição sejam sólidas.

 

Esta minha viagem convence-me que existe um esforço significativo:

  • na homogeneização do pensamento tendo levado já à realização da profecia Orwelliana de “crime de pensamento” em que se prendem pessoas por causa de posts no facebook (no entanto a mesma polícia tenta ocultar crimes cometidos por migrantes);
  • em eliminar valores como soberania nacional, democracia e liberdade;
  • em promover uma cultura de vitimização com narrativas de opressor vs. oprimido.

 

Cegos em relação a deveres e incansavelmente reivindicando direitos, creio que estamos a caminhar por um caminho que despreza factos e lógica, e que define tudo (ciência em geral e biologia em particular) como uma construção social. Tudo em nome de fantasias que revelam não só desequilíbrio mental, mas também uma doutrinação cega, surda e censuradora da crítica.

Queres despolarização? Moderação? Só consigo pensar numa maneira de as alcançar: armados com espíritos curiosos, conversemos. Acima de tudo oiçamos e tenhamos a coragem de pôr em causa, aquilo que temos como certo e absoluto.

 

Mas será que tudo aqui manifestado é a “verdade verdadeira”? É possível que com esta procura de informação, tenha sofrido uma “lavagem cerebral” que me faz acreditar no que acima exponho.

Mas ponho agora a bola do teu lado. Procura o contraditório, usa a cabeça (e não, ainda não há uma aplicação para isso) e dialoguemos.

É só mesmo a conversar que a gente se entende.

Mas como já deves ter percebido, para mim dizeres “Isso é ofensivo!”, não é um argumento. 😉

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Gratidão

Falta um genuíno sentimento de gratidão por tudo aquilo que os nossos antepassados e contemporâneos pensaram, construíram e implementaram – as paredes à tua volta; o tecto sobre a tua cabeça; o carro na tua garagem; as estradas; a luz que alimenta o teu ecrã; as roupas no teu corpo; o acesso à saúde, justiça e educação.

Falta um genuíno sentimento de gratidão pelos sacrifícios e guerras que os nossos antepassados lutaram em nome das liberdades que hoje desfrutamos – a liberdade de poder pensar em voz alta sem apreensão; a liberdade de poder escolher quem quero que me represente.

O meu muito obrigado a todos aqueles que criaram as fundações que me permitem hoje estar aqui a deambular sem preocupações dignas desse nome. O meu muito obrigado pelo elevadíssimo nível de conforto que hoje usufruo.

 

Mas dizer “Obrigado” não chega. Se quero realmente mostrar a gratidão que genuinamente sinto tenho que a demonstrar nos meus actos todos os dias. Tenho que assumir responsabilidade pelas coisas que EU consigo fazer e que promovem o melhoramento da condição humana.

Começa com trabalho interno. Respiro. É o único ponto de partida para realizar a ambição de ser melhor homem. Caminhando no sentido de ajudar e contribuir para a minha família, a minha comunidade, a minha sociedade e enfim a humanidade.

 

Qual o caminho?

O desejo fantasioso de querer resolver os problemas do mundo sozinho com expressões de virtude não é certamente o melhor caminho. Mais uma vez, a casa de partida é sempre a mesma… TU, o indivíduo. Como diz o Jordan Peterson: “antes de quereres mudar o mundo, arruma o teu quarto.”

No entanto, é difícil implementar a necessária mudança interna – para uma melhor gestão das nossas emoções – quando cada um de nós está absolutamente no centro de toda e qualquer experiência.

Da mesma maneira que a Terra gira à volta do Sol também as minhas experiências revolvem à minha volta. Mas ao assumir o dever de tomar responsabilidade individual – principalmente pelos teus direitos – criarei certamente um ambiente mais propício à discussão e conflito saudável.

E não havendo caminhos fáceis para fazer algo difícil, o primeiro passo pode ser tão simples como questionares-te e responderes honestamente:

  • “O que é que EU fiz que me fez chegar onde estou?”;
  • “O que é que EU posso fazer para o melhorar?”; e mais importante
  • “Estou EU disposto a fazê-lo?”

 

Muito obrigado por teres chegado até aqui (espero que não sejas daqueles que lê o último capítulo primeiro), mas agora se me dás licença está na hora de me afastar um pouco das ‘actualidades’ (se bem que vou mantendo um olho bem aberto à minha volta).

Vou agora dedicar o meu tempo, energia e foco a outros projectos de um foro mais introspectivo e criativo. Espero que estes me permitam desenvolver novas competências (crescer) e fazer de mim um membro mais contributivo para o melhoramento da nossa condição.

 

A última conclusão que tiro é que, voltar a escrever em “bom” português me deu enorme gozo.

 

Mais uma vez, Obrigado!

Diogo Carriço

 


 

P.S.: E PORQUE RIR É BOM (E LEGAL AINDA)

Ontem à noite nevou:

8:00 – Fiz um homem de neve.

8:10 – Uma feminista passou e perguntou-me por que razão não tinha eu feito uma mulher de neve.

8:15 – Então eu fiz uma mulher de neve.

8:17 – A minha vizinha feminista queixou-se que o peito voluptuoso da minha mulher de neve objectivava mulheres de neve pelo mundo fora.

8:20 – O casal gay da outra rua queixou-se que podiam ter sido dois homens de neve.

8:22 – O homem… mulher… pessoa transsexual perguntou-me porque é que eu não tinha feito uma pessoa de neve com partes destacáveis.

8:25 – Os vegans ao fundo da rua queixaram-se do nariz-cenoura, visto que os vegetais são comida e não adereços para enfeitar bonecos de neve.

8:28 – Chamaram-me racista porque o casal de neve era branco.

8:31 – O senhor muçulmano do outro lado da rua exigiu que a mulher de neve usasse a burka.

8:40 – A polícia chegou a dizer que alguém se tinha ofendido.

8:42 – A vizinha feminista queixou-se novamente que a vassoura da mulher de neve precisava de ser retirada porque reatava as mulheres num papel doméstico

8:43 – O vereador responsável pelo pelouro da Igualdade ameaçou-me com despejo.

8:45 – RTP, TVI, SIC e demais canais televisivos apareceram. Perguntaram-me se eu sabia a diferença entre um homem de neve e uma mulher de neve. Eu respondi “Bolas de neve!” e sou agora acusado de ser sexista.

9:00 – Apareci nas notícias da manhã como sendo um suspeito de terrorismo, racista, homofóbico, agressor de sensibilidade, e empenhado em criar problemas durante mau tempo.

9:10 – Perguntaram-me se eu tinha cúmplices. Os meus filhos foram levados por serviços sociais.

9:29 – Activistas de extrema-esquerda, ofendidos por tudo, marcharam na minha rua exigindo que eu fosse preso.

 

Já esteve mais longe…

 

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6 thoughts on “Manifesto Idealista – “O Original”

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