Em Busca da ‘Zenness’ Perdida

É inegável que o Minimalismo “deu” mais horas ao meu dia e as direccionou para empreendimentos bem mais significativos (o que, tendo em conta os meus hábitos pre-minimalismo, não é de todo surpreendente).

Apesar de “ter” mais, o tempo não deixa de ser um recurso finito que requer uma preciosa gestão se os objectivos maiores são o crescimento individual e contribuir para o melhoramento colectivo.

Há umas semanas ‘realizei’ que tenho sido um mau gestor.

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O Problema

Estou hoje menos ‘Zen’ do que estava há um ano.

Mas sei porquê.
Óptimo: identificado o problema, já meio caminho está andado para o resolver.

Fruto de um prolongado período (décadas mais concretamente) de deliberada ignorância sobre ‘current affairs’, decidi informar-me sobre como é que vão as coisas pelo mundo – a informação recolhida motivou-me a investir-me de corpo e alma na escrita do Manifesto Idealista.

Desde então, tenho usado a maioria do tempo que aloco à procura de informação; pensamento deliberado; e escrita, a deambulações do foro político; económico; educacional; religioso; cultural; social e afins.

Tem sido demais.

O preço desta escolha tem sido demasiado elevado no que toca ao meu bem-estar emocional e (consequentemente) físico – Não estou doente, mas sendo que saúde é bem mais do que a ausência de doença, já fui e quero ser mais saudável.

Tenho ansiado em demasia priorizando assuntos que – devido à sua natureza abrangente, divergente e até contraditória – despoletam o tipo de sentimentos (indignação, frustração, ressentimento) que corroem o Ser e que certamente causam alguma forma de cegueira.

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O desequilíbrio interno (causado pela desproporcional alocação dos meus recursos finitos e expectativas defraudadas), tem-me levado a negligenciar lições importantes. Lições que aprendi quando apliquei o meu foco, energia e tempo a:

  • aprender a respirar;
  • estudar e contemplar o momento presente;
  • alongar o corpo;
  • alargar a percepção;
  • observar, reconhecer e soltar as emoções geradas pelos pensamentos; e
  • aceitar as coisas que não posso mudar.

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A Solução

Sentindo-me menos sereno e mais longe do equilíbrio que ambiciono alcançar, o que fazer?

Simples (o que está longe de ser fácil).

Sabendo que onde coloco a minha atenção é onde coloco a minha energia, a solução passa por mudar a informação que consumo para aquela que exponencia o potencial da tríade mente-corpo-intelecto.

A solução passa por recordar o que já aprendi, vivi e imenso valor retirei e providenciei àqueles à minha volta.

A solução passa por um trabalho individual no indivíduo. Prestar mais atenção à natureza da minha realidade e questioná-la com introspecção e experimentação.

A solução passa por, com curiosidade e cepticismo, adoptar o “método científico na 1a pessoa”, na procura do conhecimento (esquecido) da minha natureza mais primal.

A solução passa por usar a minha mente e o meu corpo como laboratório. Procurar a essência do “óleo” que os liga.

A solução passa por entrar no campo onde o intelecto ainda não foi capaz de ocupar. Um espaço onde apresentar evidência para o teu escrutínio não está ao meu alcance, apenas um mapa para que possas fazer o trabalho que comprova ou refuta o meu testemunho.

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Porque o nosso corpo, mente e espirito têm segredos que – na nossa modernidade, na nossa procura de conforto permanente – nos esquecemos e que estou convencido serem a chave para os maiores passos na melhoria da nossa condição.

Segredos esses que são a chave para o próximo passo evolutivo da nossa espécie: a evolução da nossa consciência, da nossa awareness.

É por aqui que vejo o caminho que me leva ao destino de equilíbrio e equanimidade que procuro ocupar.
Tenha eu a coragem e disciplina para o caminhar.

O Antes!
O Momento!

Em Conversa Com a Minha Terapeuta

Aqui fica a transcrição dum diálogo com a pessoa mais desafiante que conheço – parafraseado para efeitos lírico-dramáticos. Todos os (parêntesis) reflectem pensamentos não exprimidos verbalmente.

DC: Sabes, esta minha procura de informação sobre “actualidades” tem-me levado a ansiar em demasia. Sinto que a minha capacidade em efectuar mudança significativa é praticamente inexistente e sinto-me frustrado. Basicamente a diferença entre investimento e retorno não é positiva.

CM: Vou-te dizer o que já me disseste várias vezes: “se não tens a capacidade ou vontade de fazer algo em relação a isso, mais vale desligares!”

DC: Mas quero estar ciente do mundo em que os miúdos vão crescer para melhor os poder ajudar.

CM: Certo, mas o efeito que essa procura está a ter pode-te dar mais conhecimento das realidades mundanas, mas não creio que te ajude a atingir os teus objectivos.

DC: Como assim?

CM: Tenho a certeza que vais conseguir exercer uma maior e mais positiva influência nos miúdos se recuperares a mindfulness e awareness que já tiveste. Vais ajudá-los – e a mim – de forma bem mais eficiente.

DC: Pois… (Touché Mozinho, touché. É só isso!)

DC: E as dezenas de textos não editados que escrevi? Sobre pobreza; racismo; justiça; religião; corrupção; terrorismo; o sistema de crédito social chinês? Uma ’5 part series’ sobre a UE? E uma das caras do verdadeiro feminismo, a Ayaan Hirsi Ali? Acho que há ali muito valor.

CM: Guarda para leres mais tarde.

CM: Passas demasiado tempo e gastas demasiada energia emocional a procurar e assimilar informação antes de “abrires a boca” e o contraditório não tem tido o mesmo nível de rigor e honestidade.

CM: Basicamente, o feedback que tens recebido não tem correspondido às tuas expectativas. E sabes bem ao que leva a criação de expectativas…

DC: Desilusão!

CM: Nem mais!

DC: Sim, estava à espera que toda a gente se preocupasse com o que me preocupa.
Estava à espera de outro nível de debate, mais inquiridor menos acusatório.
Estava à espera que – no meio das tendências inerentes a cada um de nós – houvesse mais espaço para objectividade e honestidade.

CM: Mas a maioria das pessoas, mais do que um debate honesto, objectivo e produtivo, quer é estar certa, ter razão.

DC: Também eu, mas valorizo muito mais saber que estou errado – que sabe sempre mal – do que provar que estou certo.

DC: Sabes aquela sensação quando genuinamente mudas de opinião em relação a algo? Uma especie de realização? Procurava isso.

CM: Expectativas…

DC: Ou talvez, e ainda com mais vontade, procurava a validação do meu ponto de vista. No fundo, alimentar o Ego enquanto “mudava mentes”.

DC: Mas lá está, a verdade é que só tenho o poder para mudar uma pessoa, mais ninguém.

CM: (Mas que homem fantástico que saquei. É mesmo de sonho! UAU!)

Boas Questões

Já algumas vezes me mostraram surpresa por defender algumas das ideias que exponho no Manifesto Idealista. Nomeadamente aquelas que conflitem com a imagem do gajo que anda descalço a pregar yoga e meditação.

Sempre associei essa “crítica” a Políticas de Identidade, mas será que há mais do que isso? Será que determinadas posições sobre temas mundanos e temas mais esotérico-introspectivos, são incompatíveis?

São perguntas válidas e pertinentes que tenciono esforçar-me em responder.

A Minha Relacção com as “Actualidades”

Mas estou eu disposto a desligar-me completamente das “actualidades” para me concentrar unicamente em “olhar para dentro”? Não creio ainda que esteja. Sinto que as minhas responsabilidades parentais e sociais não mo permitem.

E porque é que eu acho que falar de actualidades é tão importante?

  • Porque nem tu nem eu vivemos de forma independente. Vivemos em sociedade, partilhamos valores e em conjunto tomamos as decisões que afectam o futuro dos nossos;
  • Porque vejo o Ocidente a trilhar um caminho de auto-destruição, mas (dada a história de absolutamente todas as civilizações passadas) o mais certo é ser esse o seu destino.

Reparaste? Tou aqui a sinalizar uma certa aceitação/resignação à realidade, quão Zen é isso? Estou mesmo no bom caminho!

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Quanto às minhas “escrituras”, posso sempre aplicar a teoria dos “70% good enough” (Obrigado Ci), e sem grande investimento de tempo nem perda de conteúdo, partilhar um dos inúmeros textos não editados.
Ficará a faltar a nota artística, mas não se pode ter tudo… e os 3 pontos são o mais importante.

Considerações Finais

Já comecei a dar os primeiros passos nesta renovada direcção que escolhi. Mais concretamente tenho experimentado o método do Wim Hof (empírico) e estudado o trabalho do Dr. Joe Dispenza (este sim, com base no método científico em que tanta “fé” deposito).
Com base em resultados preliminares estou mais curioso que nunca.

Sem surpresa, noto que quanto mais aprendo e experimento, mais sei.
Mas ao mesmo tempo, é com genuíno fascínio que me apercebo que aquilo que desconheço é maior do que pensava – quanto mais sei, mais sei que há para saber.

Independentemente do que sei; do que sei que não sei; do que não sei que sei; e do que não sei que não sei, de uma coisa estou confiante: aprendendo a gerir os meus pensamentos (e as emoções daí geradas), conseguirei certamente influenciar o espaço à minha volta de forma mais construtiva e eficiente.

Para a mente céptica é uma excelente leitura!
Para a cínica, não há leitura que valha!

2 thoughts on “Em Busca da ‘Zenness’ Perdida

  1. Vamos por partes… já dizia o Jack the ripper.
    1. Quando comecei a ler a este post, senti-me altamente traída. Então e as palavras: “calma, que eu tenho tempo e paciência…” que havias escrito já há algum tempo? Agora, como que num acto de vencido, atiras a toalha ao chão? E agora toda a “papinha” já concentrada que eu ia lendo, criticando, absorvendo, questionando, etc., vai terminar? Assim sem mais nada?

    2. Passado o choque, respirei. A empreitada é grande, e cada um deve fazer o que acha que é melhor para si, e para os seus. Não posso ser egoísta.

    3. Já em período de paz com o Diogo, quero deixar bem vincadas estas palavras:
    “CM: Mas a maioria das pessoas, mais do que um debate honesto, objectivo e produtivo, quer é estar certa, ter razão.” – Que frase tão certeira! E que tb se aplica a mim, mesmo que o faça sem uma intenção consciente.

    4. Do resumo inicial, há um ponto que preferia aceitar, mas que teimosamente quero poder acreditar que não:
    “- aceitar as coisas que não posso mudar.” – quero sonhar que no limite, poderei conseguir mudar tudo. Sei que não é possível, mas deixem-me pensar que sim.

    5. Joe Dispenza: sou totalmente céptica sobre tudo o que é sobrenatural, isotérico e afins. Vou ler.

    6. 70% good enough

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