Para a Katiliana

A minha querida, querida amiga Katiliana comentou o meu desabafo: ‘‘Em Busca da Zenness Perdida‘! Esta é a carta que lhe escrevo em resposta.

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Querida Katiliana,

Quero, em primeiro lugar, assegurar-te que a minha disponibilidade para conversar (sobre qualquer temática) mantem-se inalterada. A única diferença é que as deambulações por mim propostas, serão (predominantemente) mais relevantes para a direcção que mais estou curioso em explorar.

É também a direcção que vejo como sendo a mais produtiva — sem bem que, bem mais trabalhosa — para melhorar a nossa condição.
Chama-me o que quiseres, mas acredito mesmo ser o próximo passo evolutivo da nossa espécie.

“Olhar para dentro” para descobrir a essência da nossa realidade.

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Entretanto — e usando o método do Jack The Ripper 😉 — por partes vou e dirijo-me agora aos pontos que levantas:

1.
Quero que saibas que continuo com tempo. Mais, confesso que a forma como o tenho alocado, faz-me hoje estar mais calmo e sereno do que há doze meses — o ‘Manifesto Idealista’ faz para a semana, um ano.

A procura de informação para o escrever mostrou-me que sou capaz de pesquisar, processar e de comunicar uma ideia de forma fundada. Mantendo os meus objectivos inalterados, é o que tenciono continuar a fazer.

Portanto, nada temas! A “papinha” já concentrada não vai terminar. É certo que vais ter menos da tua favorita, mas certamente não vais passar fome. Quiçá não desenvolverás outros apetites.

E mais te digo, dada a tua natureza e a da nova “papinha” não estarem alinhadas, vais certamente ser mais confrontada e desafiada. Armada com cepticismo e curiosidade vais obrigatoriamente sair da tua zona de conforto e inevitavelmente vais crescer.

Espero que (esmiuçando o meu ponto de vista) me lances os desafios que me ajudarão a fazer o mesmo.

Escolho não me ver como vencido, mas como tendo ajustado as minhas tácticas para alcançar o objectivo maior. Sinto-me sim, desiludido. Sou uma vítima (voluntária) das expectativas que criei. Coitadinho de mim…

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Custa-me que te tenhas sentido traída mas tu sabias que eu tinha outras 🙂

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2.
Todos o somos (egoístas), mas termos essa percepção é meio caminho andado para nos entendermos, respeitarmos e alcançarmos um compromisso constructivo.

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3.
Estas palavras da Catarina são palavras que merecem e devem ser vincadas.

Revelam uma verdade comum a cada um de nós — tu e eu temos um ego que exige constante alimentação. É uma verdade que se torna confrontante quando temos a coragem de olhar para dentro… ou olhar de fora.

A grande diferença está em conseguir reconhecer a nossa inata falta de isenção nos nossos momentos mais conscientes. À partida, merece o meu respeito quem tem a coragem de dizer ”Eu estava errado!”

No fundo, é esta a essência da nova direcção que decidi tomar… aumentar a frequência dos meus momentos conscientes 😉

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4.
Este teu ponto leva-me a deambular pelo conceito de “mudança” — no contexto do indivíduo e da comunidade/sociedade em que este se insere.
Aqui vai um pouco de ’food for thought!

Eu acredito que:

  • consigo mudar muita, muita coisa à minha volta;
  • a primeira (e mais importante) mudança começa em mim e que sem essa não consigo influenciar mais nenhuma;
  • para conseguir mudar, tenho de de estar disposto a fazê-lo;
  • se estou disposto a mudar, tenho inevitavelmente de pôr em causa aquilo que tenho como certo e absoluto – a mudança não é possível em mentes que estão “certas da verdade” (i.e. ideólogos);
  • se estou convencido que consigo mudar as coisas à minha volta sem eu mudar primeiro (i.e. sem falar e agir de forma coerente com a mudança que quero implementar), então sou cego e/ou arrogante.
    Facilmente me torno num tirano sem qualquer sentido de responsabilidade, e cujas acções são insustentáveis e nocivas.

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O racional que apresentas neste ponto é indicativo de um tema que me tenho deparado nos meus estudos… as crenças que nos governam. Infelizmente temos a tendência para escolher as limitativas (“não consigo”, “não posso”; “não dá”, “é impossível”).

O nosso sistema de crenças é poderosíssimo mas — mesmo estando gravado no nosso subconsciente — temos o poder de o “hackear” e substituir crenças limitativas por crenças empoderadoras.

Para finalizar este ponto, uma pergunta: Que comentário fazes sobre alguém que “sabe” que algo não é possível, mas que ainda assim acredita que é?

5.
Sugiro que comeces com o “Biology of Belief” do Bruce Lipton e depois leias o “Becoming Supernatural” do Joe Dispenza – é uma sequência mais melhor boa.

Ambos são cientistas cujo trabalho tem ajudado a ligar a ciência ao místico. Tal como tu, também tiro conforto da validação do método cientifico.

No teu cepticismo saudável sugiro também que — empregando o “método cientifico na 1a pessoa” — te tornes numa cientista e uses o teu corpo e mente como laboratório. Nada tens a perder excepto crenças falsas 😉

Antes de te embrenhares pelos exercícios descritos no “Becoming Supernatural” sugiro que experimentes o método do Wim Hof. Creio que experienciares as capacidades incríveis (e desconhecidas) do complexo corpo/mente te vai dar ânimo e espicaçar ainda mais a curiosidade para continuares.

6.
Prometo ir ao baú e trazer até aos “70% good enough” algumas das “papinhas” que tanto gostas.

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Beijinhos e vamos falando!
Diogo

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P.S. Muito obrigado por partilhares comigo este espaço… e pela validação — são pessoas como tu que me fazem sentir que estas minhas deambulações valem a pena!

Sugestões de “leitura”: