Virais Deambulações – Parte II

As minhas deambulações sobre o único tema da actualidade, têm-me levado a um exercício de balanceamento consequencial dos dois principais problemas causados pelo vírus. 

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Problema 1 – Saúde Pública/Epidemiológico/Sanitário

Neste, somos todos especialistas e as mãos nunca andaram tão lavadas. 

Dos epidemiologistas e virologistas, ouvimos sobretudo palavras de prevenção. Não falam de datas nem curas, e eu, considero que esta é uma atitude responsável.

Não tenho dúvidas que estão bastante ocupados a recolher e processar a informação que nos vai permitir superar este invisível e formidável adversário. 

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Problema 2 – Económico-Social

Face ao deveras superior valor da vida humana, não creio que se tenha ainda dado a devida atenção a este problema é possível (provável até) que esteja errado. 

Mas o meu raciocínio é o seguinte: é bem mais fácil contabilizar o número de mortes directamente causadas pela epidemia, do que as que certamente chegarão indirectamente.

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Estando (praticamente todos) impedidos de sair de casa, aqueles que não podem trabalhar vão continuar a aumentar e tornar-se a maioria — é inevitável, somos todos interdependentes do trabalho uns dos outros. 

Eu (e arrisco a dizer, tu) na minha semi-reclusão burguesa — funcionário público (em Noosa, Austrália), sem dívida e cujo produto do meu trabalho pode ser vendido atrás de um ecrã — serei dos últimos a “penar”.

Tendendo o tempo para o infinito, entra tudo em ‘lay-off’ — mas sendo que é mais rentável despedir do que ter custos correntes com um empregado que não produz, este termo é um estrangeirismo eufemista com o único propósito de amaciar a realidade da coisa.
Coloquialmente: “Vai haver muitos desempregados!”
Grosseiramente: “Os empregos vão todos com o cara#%o!”  

Não podendo a maioria trabalhar, há um ponto no tempo em que, por mais forte que seja, a fortaleza sócio-económica tomba. O ponto em que milhões de cidadãos e as suas famílias entram em falência, ficando sem trabalho, sem tecto e sem pão. 

Os problemas familiares e sociais que se seguirão (manifestados principalmente em doenças do foro mental) serão também eles sinónimo de óbitos, mas esta quantificação não é tão fácil de calcular, muito menos estimar. 

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Stephen Tapp 🇨🇦 🌎 on Twitter: "...I'm struggling to put today's ...

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O Balanceamento

O Estado vai certamente assumir as suas responsabilidades (como já tem feito um pouco por todo o mundo) e manter a população alimentada e a viver com dignidade. Mas quão fundos são esses bolsos?

Diz-me lá, Centeno: quanto tempo pode o Estado suportar quem, por si, não consegue?

Os cientistas ainda não me podem dizer quando é que podemos voltar à normalidade, mas a pergunta acima parece-me razoavelmente acessível para o “Cristiano Ronaldo das Finanças”. 

Ironias à parte, dizem-me que a economia é uma ciência (para mim da mesma maneira que o xadrez é um desporto), falem então estes cientistas sobre os possíveis cenários deste “jogo” sócio-económico: 

Quanto tempo têm os epidemiologistas e virologistas para resolver o Problema 1, antes que o Problema 2 tenha consequências mais danosas?

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Outra questão metafórica (já exposta no Manifesto Idealista) para ponderares: Será imoral, o General que manda dez mil soldados para a morte certa, confiante que esta ordem vai salvar 1 milhão? 

Covardemente admito: ainda bem que não sou um General neste conflito. 

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