O Regresso Às Aulas

É minha responsabilidade maior ser pai. 

Nas hierarquias identificativas do Eu, não há valor mais elevado. 

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Concretamente, não sei quais as medidas “sanitárias” para a retoma das aulas presenciais em Portugal. Ouvi dizer que  vai haver mais desinfectante; distanciamento social; e crianças (a partir de determinada idade) com máscaras.
Por aqui nos antípodas, o ano lectivo é igual ao civil, e para além de umas semanas de aulas domésticas (que piada!); a pestilência causou uma única mudança aqui pelo bairro, os pais já não podem entrar na escola. Ponto.

Do mundo fora, oiço histórias.
Histórias de ficção científica.
Histórias de experiências.
Experiências com crianças!
Experiências de afastamento, delas, dos outros.
Experiências que lhes roubam os sentidos e limitam o potencial para descobrir o mundo que as rodeia.
Experiências em que aprendem a temer.
Experiências que condicionam uma obediência muda.

Qual partilhado ‘Quarto 101’, são experiências de isolamento no colectivo.

Imagino qualquer uma das minhas mimocas como personagem nessas histórias e choro.
Seco as ventas sabendo que ‘home schooling’ é uma hipótese viável. 

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Crianças usarem máscaras na escola não me faz sentido algum. Bola.

Elas precisam de oxigénio bem mais do que eu!
Numa existência repleta de corridas, biclas, escondidas, bolas, apanhadas e fugidas, árvores, esfoladelas e mazelas, o oxigénio é essencial para um crescimento saudável.

Para aprenderem a comunicar, precisam de se ver.
Mais que verbal, a forma como comunicamos fundamentalmente, é corporal. Com dezenas de músculos na cara, as expressões faciais são como um livro (escrito na mais antiga das línguas) para o outro.
As bocas dizem bem mais do que os sons que emitem.

Crianças estarem afastadas umas das outras não me faz sentido algum. Bola.

Elas precisam de contacto bem mais do que eu!
Eu cresci sem medo da proximidade dos meus pares.

Não sendo cientista, psicólogo ou futurologista, parece-me que passar os anos formativos vendo o outro como um risco, um potencial perigo, é uma programação para uma existência inerte, assustada, patológica, infeliz e insofrível… ou, se calhar, é só o que é.

Mas como há 0% de hipótese de morrerem da peste, em nome de ficarmos todos mais protegidos, mascarem-se e afastem-se as crianças.

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Há uns anos valentes, o meu tio fez um transplante de coração. Andava de máscara na rua e ria-se ao contar as histórias dos olhares que recebia, especialmente das crianças que (ainda por socializar) olhavam desavergonhadamente, com espanto, reticência e curiosidade.     

É o velho normal.

As crianças crescem saudáveis, superam-se e prosperam com abraços; empurrões; beijinhos; com pés; mãos; bocas; queixos e bochechas (assim gordinhas e boas); punhos; joelhos; canelas; e cotovelos! 

Isoladas, tornam-se presas fáceis para a aquiescência; e o medo preenche o espaço que a obediência não ocupa.

Permitir que crianças, que não deram o seu consentimento, sejam ratos de laboratório em doentias experiências de engenharia social, mais do que uma bruta violação dos direitos das crianças, é um crime contra a humanidade.

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Propostas Deambulativas 

Acreditas que estas medidas nas escolas promovem a saúde da tua canalha

Com o “novo normal” escolar, achas que os futuros adultos serão mais criativos, corajosos e resilientes?
Ou mais desumanizados, conformes e submissos? 

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THEN THEY CAME FOR THE CHILDREN…

5 thoughts on “O Regresso Às Aulas

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