Deambulações Político-Económicas I – Falando de Pesca

Numa conversa…

algures no éter whatsappiano, discutiam-se os méritos de quem cria mais emprego: o Estado ou os privados? 

O principal argumento a favor do Estado (tirando a função pública) prende-se com programas de obras públicas.
Sim, são programas que criam muito emprego, mas limitam-se a períodos muito curtos (i.e. não é emprego sustentável) e implicam sempre um aumento da dívida pública (a dívida pode ser uma ferramenta muito útil, e até necessária, mas pessoalmente abomino-a).

Também em relação às obras públicas em Portugal, deprime-me mencionar que servem principalmente para alimentar as construtoras e consultoras do regime… mas debatia-se a criação de emprego em condições menos polutas. 

Como argumento a favor dos privados, apresentei o de incentivos fiscais para as empresas (i.e. baixar impostos). À partida é um conceito contra-intuitivo, mas desenvolvo com um exemplo.

O D., já com uns anos de experiência no CV, abriu a sua empresa; o gajo, para além de big balls, tem cabeça. Investiu, trabalhou que nem um mouro e a coisa começou a correr bem. Correu tão bem que precisou de ajuda para dar conta do serviço; contratou o Manel e a Manela.

O Manel e a Manela deixaram de receber o subsídio de desemprego (despesa do Estado) e passaram a pagar impostos (receita para o Estado).  

Há hoje duas famílias com uma melhor qualidade de vida (e mais independentes) por causa do D.… e do Estado. Achas que o D. teria possibilidades de contratar alguém se a sua empresa tivesse sido fiscalmente esmifrada? 

O aumento de impostos (IRC neste caso) como fonte de receita estatal, implica $ em caixa no imediato mas esse dinheiro é para subsidiar uma despesa corrente muito grande, nomeadamente a subsistência do Manel e da Manela: ambos subsídio-dependentes que não produzem. 

Pior, ao não poderem providenciar para os filhos através do seu trabalho, tornam-se seres incompletos, com limitações nas suas perspectivas de realização individual, alimentando sentimentos de insuficiência, incompetência, inépcia, imbecilidade e até inutilidade – tudo sentimentos que promovem a saúde e estabilidade emocional.

Há quem comigo não concorde, mas tendo escolha, prefiro alimentar a minha canalha com os frutos do meu trabalho, não com os do teu.

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Sendo um defensor dos mercados livres, não o sou de “Zero Estado”.
O Estado tem um papel preponderante num idílico funcionamento da economia e no melhoramento da nossa condição: legislar; regular; e fiscalizar de modo a “nivelar o campo de jogo”, promovendo a concorrência e impedindo a criação de monopólios.

Defendo que se deve baixar o IRS?
Sim. Não sendo original, mas com provas dadas, reconheço imenso mérito à proposta de taxa única.

Defendo que se devem baixar os impostos de todas as empresas?
Não, de todo. Devem-se baixar os impostos das empresas cuja actividade é nas áreas que o governo vê como prioritárias para seguir o caminho que traçou para o país (para que foi eleito).

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Noutra conversa…

discutia-se, num contexto pandémico, quem deve o Estado ajudar directamente (i.e. financiar): os cidadãos ou as empresas? 

Do outro lado, o futuro CEO da PR Arquitectos Ltd, argumentava que deviam ser os indivíduos a receber o apoio estatal, não as empresas. Eu discordo. 

E não, não estou a falar das TAPs e BESs deste mundo: se uma empresa é mal gerida; não é viável; ou é vítima do riscos que corre, não têm de ser os contribuintes a resgatá-la. Na minha sociedade ideal não há espaço para empresas “too big to fail”.

Sendo os trabalhadores a receberem o apoio, as empresas – que O GOVERNO IMPEDIU de exercer a sua actividade profissional – deixam de ter receita, mas a despesa dos compromissos que assumiram mantém-se. O investimento que fizeram; os postos de trabalho que criaram; a riqueza que geraram (e gerariam), vai tudo por água abaixo.

O resultado é evidente: as empresas abrem falência; no caso do D., ficam 3 famílias dependentes do Estado; fica um país sem o benefício do produto/serviço criado pela empresa do D.; aumenta o desemprego, a despesa e a dívida pública; maior o fosso entre quem tem (poucos) e quem não tem (a esmagadora maioria). 

Cinicamente e (ao mesmo tempo) realisticamente falando, aumenta a base eleitoral dos partidos que governam, quais figuras paternais das quais a maioria depende para sobreviver. 

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Querido Estado, não me dês o peixe que fiaste. Ensina-me a pescar; ajuda-me a arranjar uma cana; e deixa-me sair à rua que, em menos de nada, estou-nos a servir uma caldeirada ou um sargo grelhado… xiiii, que saudades!

Emigrante sofre!!

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